mai
1

Gestão da pecuária com foco no manejo das pastagens.

Artigos | Data de publicação: 02 de maio de 2012


nelore irca

Observa-se um aumento generalizado de custos na pecuária – fertilizantes, combustíveis, insumos de nutrição, sais minerais –, impondo-se uma pergunta: como cortar as despesas sem sacrificar a produção?


Gráfico Ilustrativo dos Pontos de Equilíbrio

Alguns optam por diminuir a quantidade de insumos utilizados, outros ajustam o número de animais, vendendo fêmeas ou animais jovens, etc.

Não é tarefa fácil definir prioridades ao gerenciar os custos, já que a produção está sempre relacionada com o grau de investimento. Do corte de despesas para uma queda na produção não são precisos muitos passos.

Sugiro, no entanto, outro olhar gerencial. Não apenas analisar “o que cortar”, mas “como fazemos”. Não apenas ver os “itens”, mas o “modo” como trabalhamos.

Nessa perspectiva, um importante aliado na lucratividade do negócio pode ser a escolha adequada do método de pastejo, p. ex. a implantação da “Permanência fixa dos animais na pastagem”.

Os diferentes métodos de manejo de pastagens podem ser agrupados em três principais alternativas com suas variantes: Rotacionado – convencional, em faixa ou com 2 grupos de animais; Diferido – quando a pastagem é deixada em descanso, sem animais, por algum período de tempo para que haja acúmulo de forragem para o uso posterior; e o Contínuo – que prefiro denominá-lo “Permanência fixa dos animais na pastagem”.  .

É preciso não confundir “pastejo contínuo” com “extensivismo”. A maioria dos pecuaristas pensa que fazer pastejo contínuo é colocar um grupo de animais numa área e largá-los lá, sem monitoramento, sem meta nenhuma. Isso, na verdade, é ausência de método, é puro extrativismo dos recursos naturais disponíveis, como bem disse o Prof. Sila Carneiro Filho (ESALQ) em entrevista à jornalista Maristela Franco (2008).

Esse método de “colheita” de forragem exige uma avaliação realista da capacidade de cada pasto na produção anual de matéria seca (MS), já que não existe “colheita contínua” de forragem por parte dos animais, o que existe é “presença contínua” deles na área. Um perfilho (unidade básica de crescimento da planta) somente é visitado a cada 30 dias nesse método de pastejo, devido ao correto ajuste da pressão de pastejo – número de animais (kg de Peso Vivo) por unidade (kg) de forragem disponível, Mott (1960), – proporcionado pelo ajuste da taxa anual de lotação por hectare (UA/ha).

Alguns benefícios desse método:

  1. Maior desempenho zootécnico dos animais proporcionado pela maior oportunidade de pastejo seletivo e conseqüente ingestão de uma dieta de melhor qualidade. Segundo Walker (1995), a seleção da dieta é a chave do processo que influencia o “status” nutricional do animal. Isto reforça a importância da seletividade para o desempenho animal.
  2. Maior saldo de energia disponível para produção, devido a menor demanda da energia consumida diariamente, para mantença corporal, proporcionada por um menor tempo de pastejo (TP), maior facilidade de preensão da forrageira e o conforto animal.
  3. Menor demanda por fertilizantes e insumos, devido à utilização sustentável das pastagens.
  4. Maior lucratividade proporcionada pela otimização da utilização de insumos por arrobas produzidas.

O aumento de produção é devido ao:

  • Aumento de até 15% de vacas prenhes na Estação de Monta.
  • Aumento de10 a15% no peso de desmama.
  • Maior eficiência na relação peso da vaca x peso do bezerro a desmama.
  • Aumento do percentual de animais na cabeceira de desmama.
  • Aumento de até 30% no ganho médio diário de peso dos animais em recria no período de outubro a abril no Brasil Central.
  • Melhor Escore Corporal das vacas em produção.
  • Possibilidades de descarte de vacas sem necessidade do período de engorda por estarem com uma deposição de gordura suficiente para o abate.
  • Menor gasto direto por unidade animal (UA)
  • Maior margem líquida nas arrobas vendidas por incorporar menor custo total.

É bem certo que teremos muitas incertezas pela frente para os próximos anos, mas como sempre a receita requer: conhecimento e foco na objetividade.

 

fev
3

O que é um bom touro?

Artigos | Data de publicação: 09 de fevereiro de 2012


nelore irca

Não é difícil constatar que os touros TOPs em peso são conclamados melhoradores em relação aos touros médios. No entanto, eles estão gerando o retorno esperado? A expectativa de lucratividade se realiza?

Observamos dois fenômenos:

1. Os touros TOP’s peso – com DEp’s altas – são vendidos por preços maiores. É uma consequência da lei do mercado: há demanda por qualidade genética.

2. Essa demanda parece justificável, isto é, ela se apresenta à primeira vista como economicamente razoável. Se um touro gera +20 kg de peso ao sobreano e procria 100 bezerros durante a sua vida, considerando o quilo a R$ 3,00, esse touro valeria R$ 6.000,00 mais do que o touro médio.

Diante desses dois pontos, podemos concluir: a lucratividade no setor deve estar aumentando, já que está havendo um investimento em produtividade. Estamos trabalhando com maior eficiência. Correto?

Infelizmente, não. O cálculo na pecuária não é apenas uma conta de multiplicação de fator único. Ou melhor, em nenhum setor da economia a análise quantitativa resolve a questão da lucratividade.

O cálculo não deve ser apenas quantitativo, mas qualitativo. Aumento de peso não é sinônimo de genética de qualidade. Ela não é resultado de um único fator, mas de um conjunto de aspectos. E o ponto ótimo – a lucratividade – está no equilíbrio ótimo, não no ponto máximo.

Por exemplo, não podemos desprezar os antagonismos genéticos. Crescimento de peso (positivo em tese) gera aumento de peso ao nascer (nem sempre positivo). O peso ao sobreano impacta no tamanho adulto (aumento de custo de mantença do rebanho). A relação entre área de olho de lombo, gordura subcutânea e o rendimento de carcaça: onde está o equilíbrio?

Os sumários – análises meramente quantitativas – não respondem a essas questões. Significa então que eles não servem para nada? Não, podem ser muito úteis, desde que analisados dentro do contexto global, e não como um tapa-olho para as outras características.

Os sumários oferecem elementos muito úteis, mas é preciso ter presente que eles não dão a resposta final. Não basta lê-los, é necessário um trabalho de ponderação. Afinal, lucratividade não é volume, e sim eficiência.

Por isso, a análise do valor genético de um touro não é simples. É preciso observação e medição dos diversos fatores envolvidos, que não estão apenas no touro em si, mas no ambiente em que ele trabalhará, no sistema de produção específico implantado na fazenda e nos seus objetivos pretendidos, etc.

A qualificação do bom touro não se assemelha tanto a uma fotografia (análise instantânea), e sim a um filme (um processo no tempo), com idas e vindas, num aprendizado contínuo, no qual se testa e se retifica, inova-se e ao mesmo tempo controlam-se alguns parâmetros, para depois medir os resultados, etc.

Complicado? Nem tanto. Difícil mesmo é perceber que, a cada ano que passa, aumentam-se os pesos dos animais, compra-se mais “qualidade” (DEP’s altas), mas depois não se vê o retorno esperado. A grande expectativa no ato da compra daquele touro melhorador, daquele sêmen, não se realiza no fechamento do ano. E queiramos ou não, a realidade está mais próxima do balanço financeiro do final de ano do que no folder do marketing.

Genética para produção de carne em pastagem

HACKNEY 3941 IRCA

fev
1

Quatro gerações de um touro nelore IRCA

Outros | Data de publicação: 07 de fevereiro de 2012


nelore irca

Bezerros nelore IRCA nascidos em outubro de 2011, filhos do HULSUR 3907 IRCA, este é filho do CANGACEIRO 2116 IRCA que é filho do TERREMOTO 1134 IRCA.

Esta apresentação no SlideShare e o vídeo a seguir no Youtube referente ao slide no.7  demonstram através da padronização da carcaça e biotipo a consistência genética do trabalho de seleção.

A seleção do nelore IRCA iníciada em 1916 hoje utiliza as mais modernas tecnologias como ultra-sonografia de carcaça/AVAL-Goiânia-GO, avaliação genética/GenSys-Porto Alegre-RS e registros genealógicos/ABCZ-Uberaba-MG.

ago
1

Tempos de incertezas geram novas oportunidades

Artigos | Data de publicação: 30 de agosto de 2011


nelore irca

Quando tudo parecia um “céu de brigadeiro” as incertezas afloraram de todos os cantos: risco soberano, alavancagem bancaria européia, volatilidade de valores das ações e moedas, crise política.

Com custos de produção cada vez maiores, os preços pagos pela arroba do boi gordo ainda que elevados, não garantem os lucros.

Gestores mais do que nunca precisam de insights para aconselhar os produtores a permanecerem no negócio e animar outros mais jovens a entrarem no negócio.

O maior desafio para a pecuária e agricultura será identificar oportunidades para que as próximas gerações assumam a tarefa de alimentar o mundo.

A produção agrícola é uma grande vocação, mas temos que ser diligentes em nossos processos e olhar para o futuro vendo a aprovação de um código florestal coerente com nossa realidade de país celeiro do mundo, leis tributárias adequadas ao desenvolvimento.

O conhecimento dos custos de produção leva a expectativa das margens de lucro.

Elaborar um plano, conhecer os riscos e tirar proveito de oportunidades geradas a partir da criatividade no realinhamento de formas tradicionais no modo como operamos o negócio na produção de carne.

A banalização da palavra vem gerando dúvidas em muitos profissionais sobre a real “estratégia” da empresa.

Estratégia é a definição de como recursos serão alocados para se atingir determinado objetivo. Usada originalmente na área militar, esta palavra hoje é bastante usada na área de negócios.

A estratégia começa com uma visão de futuro e implica na definição clara de seu campo de atuação, na habilidade de previsão de possíveis reações às ações empreendidas e no direcionamento que a levará ao crescimento.

Procure responder: qual a estratégia de produção que sua empresa visualiza. Numa era turbulenta, o único trunfo confiável é a capacidade de antecipar as circunstâncias e reinventar o modelo de negócios

Precisamos adquirir resiliência estratégica, e esta não é fácil.  Resiliência estratégica não é reagir a uma crise isolada. Não é se recuperar de um revés. É antes, a capacidade de se antecipar – e se ajustar – continuamente a profundas tendências seculares capazes de abalar de forma permanente a força geradora de lucros de um negócio.

Resiliência é a capacidade de mudar antes que a necessidade de mudança se torne imperativa.

Para prosperar em tempos turbulentos, a empresa deve ser, na renovação, tão eficaz quanto o é na produção de bens e na oferta de serviços.

Precisamos de ânimo na pecuária de produção, o que pode significar adotar formas não tradicionais, sendo criativo e construindo novas maneiras de operar assimiladas com as lições que você aprendeu ao longo dos anos.

Qual é o melhor conselho que você daria a um jovem iniciante na pecuária?

jul
1

Melhoramento genético e lucratividade sustentável

Artigos | Data de publicação: 13 de julho de 2011


nelore irca

Ciência utilizada para obter, na pecuária de corte, indivíduos ou populações com características desejáveis, o melhoramento genético animal nunca deve perder de vista a lucratividade do negócio. Por isso, a avaliação genética é a ferramenta objetiva e fundamental para identificar os melhores animais. E, então, selecioná-los.

Quais seriam as características desejáveis em gado de corte, capazes de garantir a maior lucratividade sustentável aos criadores? Proponho as seguintes:

- Fertilidade das fêmeas, para obter o maior número possível de bezerros numa mesma população de vacas;

- Habilidade maternal, para criar e desmamar bezerros saudáveis;

- Tamanho moderado nos animais adultos, para se mostrarem eficientes em condições de restrição alimentar, ou seja, nos pastos, que oferecem níveis nutricionais diferenciados, nas águas e na seca. Algo bem diferente, portanto, da alimentação suplementada no cocho;

- Capacidade para depositar gordura subcutânea na fase de crescimento, o que antecipa nas fêmeas a oportunidade de ficarem prenhes e, nos machos, o abate;

- Longevidade produtiva das matrizes, expressa por uma longa permanência no rebanho, com alta produção;

- Maior quantidade de carne no “gancho do frigorífico” com um menor peso vivo na fazenda, o que se traduz em maior quantidade de arrobas produzidas por área de pastagem.

- Capacidade de apresentar todas essas características desejáveis em ambientes que não requeiram o uso intensivo (não sustentável) de insumos.

Essas características básicas há quase 100 anos, serviam como beabá para os meus antepassados, ao se decidirem, ainda em Alagoas, pela criação do Nelore IRCA, pensando em implantar uma indústria frigorífica. O abatedouro não foi construído, mas a idéia-base permaneceu até hoje na Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, no noroeste goiano, e ela tem apresentado muitas vantagens.

A razão é simples, e igualmente baseada nos princípios da genética. À medida que se promove o melhoramento genético, com base em um programa de seleção eficaz – e este se perpetua por muitas gerações, com o mesmo critério de seleção –, alguns genes se tornam cada vez mais freqüentes no plantel. Dessa forma, a distribuição dessa população melhorada se dá numa curva assimétrica à direita do ponto ótimo das características de relevância econômica (tal como mostra o gráfico 1).

Gráfico 1 - Distribuição assimétrica

Gráfico 1 – Distribuição assimétrica

Distribuição dos animais da safra 2007 e 2008 em relação Espessura de Gordura Subcutânea

Visualização da Evolução – O programa de melhoramento do Nelore IRCA empenha-se no conhecimento da evolução genética da população, para acelerar, na direção desejada, a alteração das características de interesse econômico.

Em uma distribuição normal, a maioria dos animais está localizada próxima à média e, quando olhamos para produções menores ou maiores (os extremos), o número de animais nesses grupos diminui (ver gráfico 2)

Curva normal ou de Gauss
Gráfico 2 – Distribuição normal, curva de Gauss

Graças à seleção, a mudança do valor genético dos animais de uma população pode ser afetada pela (i)-variação genética da população, (ii)-intensidade de seleção, (iii)-acurácia dos resultados e (iv)-pelo intervalo entre as gerações.

A variação genética de uma população distribuída à direita do ponto ótimo pode ser otimizada pela identificação dos animais mais harmônicos nas características selecionadas. O desvio-padrão genético, como uma particularidade da população, contribuirá para a efetivação dos valores conseguidos nas características que produzem a lucratividade.

A intensidade de seleção vai depender da fração da população escolhida para serem os pais. Ou seja, quanto maior a proporção selecionada em relação aos candidatos, menor a intensidade de seleção. Exemplo: selecionar os 100 melhores em 1.000 ou 500 em 1.000.

Maior intensidade é encontrada na primeira situação. Quando se trabalha com vacas de maior longevidade produtiva, melhora-se a intensidade de seleção das fêmeas, aumentando-se a pressão sobre as necessárias para reposição. Como resultado, tem-se um maior progresso genético, com a também indispensável contribuição de touros disponíveis, igualmente selecionados com rigoroso critério.

Para garantir uma boa acurácia da seleção, devem ser avaliadas todas as progênies até o sobreano, permitindo obter alta precisão na determinação do mérito genético dos touros.

Intervalo de gerações – Se, por um lado, um curto intervalo de gerações – por exemplo, 4 a 5 anos – proporciona um maior progresso genético por ano; por outro, um maior intervalo entre as gerações, pode aumentar a exatidão da seleção, pois um maior número de informações (filhos avaliados) estará disponível. Por exemplo, o Retorno Maternal, característica na qual o touro tem avaliação acurada, baseada em dados reprodutivos de suas filhas, a partir dos seus 7 a 8 anos de idade.

Intensificando os resultados – Além do uso de touros provados IRCA, uma proporção significativa das fêmeas em reprodução é acasalada com touros jovens da mesma procedência. Em vez de focar todo o trabalho em um único touro jovem, que mostrou qualidades, sempre optamos por usar um grupo de 8 a 12 touros jovens. Com isso, diminuem-se os riscos.

Se considerarmos o futuro de um grupo de touros jovens com altas DEPs, mesmo com baixa confiabilidade (acuracia), acreditamos que, se a DEP de um touro diminui, a de outro aumenta. Em um grupo, os touros que diminuem sua DEP normalmente contribuem para o aumento da DEP dos outros. Assim, a DEP média final do grupo de touros jovens não muda com o tempo, pois um grupo compensará o outro.

Em outras palavras: a melhor estratégia para minimizar o risco da baixa acurácia de touros jovens e maximizar o ganho genético é trabalhar com vários deles ao mesmo tempo, em lugar de privilegiar o uso um ou dois apenas.

Em nossa fazenda, os dados referentes à safra 2010-2011 foram os seguintes: 41,9% dos bezerros nascidos são filhos de 9 touros da geração 2007 e de 4 touros da geração 2006; portanto, com 3 e 4 anos de intervalo de gerações.

Nova geração a caminho - IRCA

Nova geração a caminho - IRCA

Lucratividade, sempre – A produção de genética será viável para aqueles que se concentram na produção de touros que geram ao produtor mais dinheiro, e que de fato podem fazê-lo, em razão de realmente entenderem como esses produtores conduzem o seu negócio.

Página 1 de 6. Passe para a próxima página:12345»...Last »