set
0

Produção de carne de qualidade no PASTO!

DSC05917-rd3Será cada vez mais relevante para os consumidores a forma como será produzida a carne que eles degustarão: quantidade de antibióticos e aditivos utilizados no sistema de produção intensivo terá sempre uma relevância maior quanto aos efeitos causados nos seres humanos.

Esses grupos contra a carne vermelha, contra a pecuária e ambientalistas se unirão no esforço de obter das cadeias de restaurantes um compromisso publico para não usarem carne produzida com antibióticos em seus menus.

Isso implicará numa mudança radical da visão de que raças e sistemas de produção estarão comprometidos com a satisfação do consumidor.

set
1

Quilos de carcaça por unidade de pasto: o melhor parâmetro para avaliar lucratividade.

DOM_6968DSC04968-rd7

A pecuária é um negócio e, como tal, o seu primeiro objetivo deve ser o lucro. Isso não significa ter uma visão meramente comercial da criação de gado. Significa gerir com profissionalismo o seu empreendimento, já que estar no azul é condição indispensável para a sustentabilidade e o desenvolvimento da produção. E se o lucro deve ser o primeiro objetivo da pecuária, ele também deve ser o objetivo primeiro do melhoramento genético.

Ao se falar em aumento do lucro, o produtor de carne quase sempre pensa em como aumentar o peso vivo de seus animais. E isso é um equívoco. Não raras vezes, o aumento do peso dos animais diminui a margem de lucro, ou até mesmo faz com que a conta fique no vermelho.

A “contabilidade da pecuária do lucro” exige responder acertadamente a seguinte pergunta: o que é mais relevante para se obter lucro na produção de carne? Peso vivo ou peso carcaça? Quilos de peso carcaça por hectare de pasto ou peso vivo por cabeça?

Na matemática do lucro, o determinante é quantificar o quanto sobra (a margem líquida) ao produzir cada arroba. Ainda que essa análise possa parecer, à primeira vista, complexa, é a partir dela que conseguimos visualizar um fato bem simples: a criação de animais muito pesados apresenta menor eficiência (kg de ganho / kg MS consumida), já que a produção de animais muito pesados implica maior consumo de alimento e, consequentemente, maior custo.

Um exemplo. Produzir animais com 21 arrobas exige um tempo muito maior de permanência na pastagem do que se gastaria na produção de animais de 16-17 arrobas. Esses animais “grandes” são tardios (não dão acabamento com 16 arrobas) além de que, são produzidos por vacas também “grandes”, que têm um custo maior durante sua permanência na fazenda. Gerar esse peso excedente – as 4 arrobas – pode requerer um consumo muito maior de alimento. Em alguns casos, chega a exigir mais de 80% de alimento.

Simplesmente, a conta não fecha. Aquilo que se ganha com as 4 arrobas a mais não vale o custo de sua produção. Ou seja, maior peso vivo individual por animal não gera mais lucro. Se com o mesmo custo de alimentação, pode-se terminar dois animais de 16 arrobas, por que produzir um de 21 arrobas?

O segredo de uma maior lucratividade está em alojar mais unidades animais com biótipo mais eficiente (menor tamanho, maior rendimento de carne por unidade de carcaça, menor custo) do que ter grandes (e menos) animais no pasto. Na primeira opção, num mesmo ciclo de pastagens são produzidas mais arrobas. E é isso afinal o que conta no bolso do produtor: mais arrobas por hectare, e não o peso vivo por boi.

O melhoramento genético deve ter um foco claro, coerente com o objetivo primeiro da pecuária (o lucro). O peso nunca pode ser visto de forma isolada. Ele deve estar diretamente relacionado, por exemplo, ao acabamento da carcaça. Ao estabelecer os critérios para o melhoramento genético, animais pesados sem acabamento (magros) deveriam ser penalizados. Caso contrário, estamos selecionando de forma contraditória – premiando animais que dificultam o lucro do produtor.

É urgente direcionar a seleção para um biótipo de animal eficiente na transformação de gramíneas em carne de qualidade – e um animal de porte médio é mais eficiente que um animal “grande”. O melhoramento genético deve estar atento ao ponto ótimo (alvo) de cada característica animal em relação à geração de lucro para o produtor.

Simplesmente valorizar “quanto maior a DEP, melhor” é um tiro no próprio pé. Deve-se valorizar animais que expressem harmonicamente as características da eficiência: rendimento de peso no abate, tamanho adulto moderado, habilidade da fêmea em desmamar bezerros saudáveis.

Ao pensar em como aumentar o seu lucro, o pecuarista deve pensar em como gerar mais quilos de carne por hectare de pasto. Essa é a conta. O resto é propaganda.

abr
0

Produção e Sustentabilidade*

DSC05080-rd3

 

O mundo está preocupado com o aquecimento global, e tenta encontrar formas de reverter – ou, ao menos, estancar – a elevação de temperatura. Afinal, sustentabilidade é um assunto sério, pois se trata de preservar o planeta para as próximas gerações. E nessa tentativa de garantir uma atividade humana mais sustentável, todas as forças se dirigem para a redução das emissões de carbono.

Essa batalha, no entanto, parece estar mal enfocada. O desmatamento e os bovinos foram escolhidos – arbitrariamente, como se procurará demonstrar – como os principais inimigos da sustentabilidade. A solução proposta seria reduzir drasticamente as áreas dedicadas à produção extensiva de gado de corte, adotando-se a verticalização da produção.

Em primeiro lugar, analisar a emissão de gás carbono na produção de gado de corte olhando apenas os bovinos é um grande equívoco. Deve ser analisado o seu contexto global de criação. Por exemplo, como demonstraram os estudos da Sustainable Food Trust, as gramíneas (os pastos) absorvem naturalmente o carbono emitido pelos bovinos. Ou seja, a conta do metano dos bovinos é equilibrada pelo efeito do crescimento das gramíneas.

Aqui está um ponto crucial ao pensar em sustentabilidade: equilíbrio. Como se pode dizer que a produção de bovinos em sistemas intensivos – por exigir menor área e, teoricamente, menos desmatamentos – é mais benéfica à sustentabilidade do que a produção a pasto menos intensiva?

Verticalizar a produção – produzir mais carne em menos área – exige insumos e mais insumos, que na sua produção emitem também enorme quantidade de carbono. Por exemplo, a fabricação de uma tonelada de nitrogênio joga na atmosfera quase sete toneladas de dióxido de carbono. Ou seja, é preciso um olhar sobre o contexto global, e não apenas detectar isoladamente emissores de carbono.

Sustentabilidade exige um olhar amplo isento, e não uma visão estreita enviesada. Caso contrário, não se está batalhando por uma vida mais saudável no planeta. Ao contrário, estará se utilizando da bandeira da sustentabilidade simplesmente para uma causa meramente comercial (por exemplo, venda de mais insumos).

É óbvio que a atividade humana transforma o meio ambiente. Não há como fugir desse fato. O grande desafio não está em opor o ser humano ao meio ambiente, e sim encontrar formas equilibradas de convivência e transformação, isto é, o uso racional (e sustentável) dos recursos naturais. Nesse sentido, é interessante a reflexão sobre o conceito de produtividade máxima (Verticalização da produção) com alto uso de fertilizantes (maior quantidade de produto com menor margem de lucro) pelo conceito da produtividade ótima: a produção a pasto, com baixa utilização de insumos e adubos, aliando genética eficiente e uso racional dos recursos naturais.

Este pode ser um bom caminho para uma produção com sustentabilidade aliado a uma melhor margem de lucro por unidade produzida.

*artigo publicado na revista O Zebu no Brasil – edição 210 – Abril/ Maio 2015

fev
1

Quatro gerações de um touro nelore IRCA

Bezerros nelore IRCA nascidos em outubro de 2011, filhos do HULSUR 3907 IRCA, este é filho do CANGACEIRO 2116 IRCA que é filho do TERREMOTO 1134 IRCA.

Esta apresentação no SlideShare e o vídeo a seguir no Youtube referente ao slide no.7  demonstram através da padronização da carcaça e biotipo a consistência genética do trabalho de seleção.

A seleção do nelore IRCA iníciada em 1916 hoje utiliza as mais modernas tecnologias como ultra-sonografia de carcaça/AVAL-Goiânia-GO, avaliação genética/GenSys-Porto Alegre-RS e registros genealógicos/ABCZ-Uberaba-MG.

dez
2

Quando a opção for encurtar o ciclo: abate aos 22 meses, com 440 kg

O selecionador José da Rocha Cavalcanti, proprietário da fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, GO, utiliza ultrassonografia para identificar em seu rebanho Nelore animais com precocidade em acabamento de gordura e com um bom rendimento de carcaça. “Nosso projeto busca selecionar animais capazes de alcançar os resultados almejados em um ciclo de produção de 22 meses”, diz Cavalcanti, que conduz um plantel de 1,5 mil cabeças, entre machos e fêmeas.

Todos os machos e fêmeas da fazenda são submetidos ao sobreano (550 dias de idade) ao ultrassom, para medidas de área de olho de lombo-AOL, espessuras de gordura subcutânea-EGS e na garupa-EGP8. As avaliações visuais – de conformação, precocidade e musculatura – são feitas ao desmame e sobreano, e servem de apoio aos dados coletados pela ultrassonografia.

“Com o ultrassom, conseguimos eliminar os riscos comuns daqueles que selecionam biotipo apenas com os escores visuais, como a dificuldade de visualizar e pontuar corretamente diferenças entre o que é músculo e gordura”.

Segundo Cavalcanti, desde que iniciou o trabalho de ultrassonagrafia, em 2004, os índices de precocidade de acabamento e de área de olho de lombo apresentaram acentuada evolução.

Em 2004, as avaliações por ultrassonografia em machos ao sobreano indicavam que apenas 15,7% deles apresentavam gordura mediana (3-6 mm). Já na safra 2008, avaliada este ano, a proporção de machos com a espessura de gordura considerada ideal saltou para 95,4%. Nas fêmeas, também se registrou melhoria na taxa de gordura mediana, que saltou de 39,1% o número de fêmeas com essa gordura, em 2002, para 96,6% do total de fêmeas desmamadas apresentando a gordura mediana, em 2008.

No mesmo período, dobrou a média de espessura de gordura subcutânea nos machos, elevando-se de 2,2 mm, na safra de 2002, para 4,4 mm, em 2008, enquanto no plantel de fêmeas, a espessura média de gordura evoluiu de 2,8 mm para 4,4 mm. A melhoria no acabamento foi acompanhada pela evolução da área de olho de lombo, medida associada à musculosidade. No período de 2002 a 2008, a AOL evoluiu de 47 cm2 para 60 cm2, nos machos, e de 41 cm2 para 52 cm2, nas fêmeas.

O trabalho de seleção da Providência do Vale Verde visa a oferecer ao mercado uma genética que permita a opção de levar ao abate animais que aos 22 meses apresentem 440 kg de peso vivo, com gordura subcutânea de 3 mm a 6 mm e rendimento de carcaça de 53%, o que resulta num peso morto de 232,5 kg ou 15,5 arrobas. “O peso morto de 15,5 arrobas não é o ideal para o frigorífico, mas é o que traz maior lucratividade para quem trabalha com o sistema de produção de ciclo curto a pasto”, afirma Cavalcanti. “O ágio pago pela indústria por animais de 18 arrobas ou 270 kg de peso morto, com cobertura uniforme (6 mm-10 mm) não compensa a lucratividade proporcionada pelo ciclo curto”, acrescenta. “Já no caso de quem produz a pasto, em sistema sustentável, é mais interessante economicamente entregar um animal mais leve (sem agregar o custo de um confinamento), de 440 kg de peso vivo e rendimento de 53%, o que permite, entre outras vantagens, um giro mais rápido na produção e, consequentemente, mais arrobas produzidas com uma margem de lucro maior”. Segundo Cavalcanti, ao optar pelo abate de animais mais leves, o pecuarista reduz o seu custo de produção. “Um animal mais pesado gera mais receita bruta, mas os seus custos de produção são mais altos”, afirma.

Para atingir a meta de abate aos 440 kg de peso vivo, Cavalcanti propõe a engorda a pasto, em ciclo curto, até os 20 meses (cerca de 390 kg de peso vivo), seguida da terminação em regime de semiconfinamento, durante 50 dias, para serem abatidos aos 22 meses. No semiconfinamento, o animal recebe ração com 18% de proteína, na proporção de 1% do peso vivo, com a engorda de um kg/dia, até atingir 440 kg, ou 232,5 kg de peso morto.

Segundo Cavalcanti, o custo total da engorda semiconfinada por 50 dias equivale ao valor de 1,15@ por animal. Com a venda do boi a R$ 15,5@, aos 22 meses, tem se um resultado de 14@ mais 6 kg por animal, descontado, em arrobas, o custo da engorda rápida em semi-confinamento. Nos seus cálculos, isso representa um ganho superior ao que seria obtido no sistema tradicional de pecuária a pasto – abate aos 36 meses, com 18 arrobas de peso.

Considerando-se um período de 60 meses, o sistema proposto por Cavalcanti (a partir da desmama aos 8 meses), resultaria em 4,29 ciclos de recria ao abate, enquanto no sistema tradicional, de matança aos 36 meses, seriam 2,14 ciclos. Para 1.000 cabeças, o sistema de ciclo curto resultaria na produção, em cinco anos, de 31.703 arrobas (já descontado o gasto no semiconfinamento, equivalente a 4.933 arrobas).

Pelo sistema tradicional, uma produção de apenas 23.540 arrobas. Em valor, o sistema de ciclo curto proporciona uma receita 31% maior do que a propiciada pelo sistema tradicional – R$ 2,472 milhões (31.703 arrobas x 78,00/arroba), contra R$ 1,883 milhão (23.540 arrobas x 80,00/arroba), considerando-se no cálculo do sistema de ciclo curto o preço da arroba a R$ 78,00 por ter que descontar o desagio para os animais que pesaram abaixo de 15 arrobas.

Fonte: Revista DBO, Especial de Genética, Setembro 2010.