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Produção de carne de qualidade no PASTO!

DSC05917-rd3Será cada vez mais relevante para os consumidores a forma como será produzida a carne que eles degustarão: quantidade de antibióticos e aditivos utilizados no sistema de produção intensivo terá sempre uma relevância maior quanto aos efeitos causados nos seres humanos.

Esses grupos contra a carne vermelha, contra a pecuária e ambientalistas se unirão no esforço de obter das cadeias de restaurantes um compromisso publico para não usarem carne produzida com antibióticos em seus menus.

Isso implicará numa mudança radical da visão de que raças e sistemas de produção estarão comprometidos com a satisfação do consumidor.

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Seleção para produção de carne de qualidade em pastagens nos trópicos.

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Animais assim desafiados apresentam uma característica marcante na vida produtiva, com períodos de acúmulo de gordura, intercalados por períodos onde é utilizada essa reserva de energia armazenada na forma de gordura proporcionando um suporte para a complementação nutricional.

Esses diferentes períodos dos bovinos em pastejo estão intimamente relacionados à estacionalidade e crescimento das plantas forrageiras.

A necessidade premente de intensificação da pecuária de corte nacional tem gerado discussões acaloradas quanto ao sistema ideal de produção para as nossas condições. A discussão tem sido polarizada no sentido comparativo, entre a exploração de animais em sistemas intensivos a pasto ou em confinamento.

Essa abordagem tem sido desvirtuada, devido à falta de dados comparativos para um menor custo por arrobas produzida gerados dentro das condições brasileiras.

Infelizmente, tem sido difundido o conceito equivocado, de que sistemas tropicais de produção a pasto são necessariamente extensivos, enquanto sistemas com altas suplementações e/ou confinados são sinônimos de intensificação e a única maneira de se explorar rebanhos especializados e de alto mérito genético.

A adoção de uma estratégia será cada vez mais lucrativa à medida que pesquisadores e consultores com um conhecimento dos fatores que geram lucro na atividade, estabeleçam para os produtores modelos de sistemas de produção que atendam à explorar animais com genética selecionada para esse desafio, com um bom manejo sanitário, reprodutivo, oferecendo condições adequadas de conforto para os animais.

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O acerto do descarte ao lucro da cria

BEZERROS ao NATURAL 2

 

Não é raro ouvir que a cria é uma atividade de baixa rentabilidade. No entanto, entre as atividades de produção de gado de corte, penso que a cria tem a capacidade de proporcionar a melhor e mais segura rentabilidade, quando se considera o longo prazo.

Logicamente, para que isso ocorra, faz-se necessária uma boa gestão – o que está longe de significar uma gestão complicada.

Para uma boa rentabilidade no rebanho comercial (não me refiro aos produtores de genética), o caminho que sugiro é o abate anual de 25% das fêmeas que entraram na estação de monta. Com esse abate, além da venda de 30% das bezerras de desmama e 20% dos touros com mais de cinco anos de uso, pode-se custear a manutenção de um rebanho de cria comercial e manter o estoque estável. Com isso, seu rebanho se torna um provedor de seu fluxo de caixa, além de agregar produtividade.

Com o custeio zerado pelas vendas acima, a produção de bezerros machos torna-se o resultado anual da atividade da cria.

O essencial é ter uma política de identificação das vacas de descarte. O acerto (ou desacerto) dessa estratégia será decisivo para a eficiência da sua criação. Abaixo, listo cinco critérios para um descarte eficiente. São bem simples, e não exigem planilhas complicadas. Apenas uma decisão firme de melhorar a eficiência do rebanho.

1-Vacas vazias. Descarte certo, podendo dar uma segunda chance para as destaque de produção.

2-Vacas de pouco leite, identificadas no desmame mesmo que esteja prenhe.

3-Vacas que exigem atenção individual. Aumentam o custo de manutenção, diminuindo a produtividade.

4-Vacas brabas podem ser marcadas a fogo com um ferro “V” (para Venda) quando forem por qualquer motivo de manejo, identificadas.

5-Vacas com bezerros fundos. Uma sugestão de identificação: na hora do desmame, separe os bezerros fundos dos outros e os mantenha separados das vacas por uma noite. Ao colocá-los de volta com as vacas na manhã seguinte, você identificará facilmente quem são as suas mães – que devem ser descartadas.

O ideal é ter um pasto próprio para as vacas de descarte. Caso não seja possível, identifique-as claramente; por exemplo, marcando um v (de venda). Lembre-se: não é um detalhe. Se fizer bem o descarte, boa parte da eficiência da sua criação estará garantida.

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Gestão da pecuária com foco no manejo das pastagens.

Observa-se um aumento generalizado de custos na pecuária – fertilizantes, combustíveis, insumos de nutrição, sais minerais –, impondo-se uma pergunta: como cortar as despesas sem sacrificar a produção?


Gráfico Ilustrativo dos Pontos de Equilíbrio

Alguns optam por diminuir a quantidade de insumos utilizados, outros ajustam o número de animais, vendendo fêmeas ou animais jovens, etc.

Não é tarefa fácil definir prioridades ao gerenciar os custos, já que a produção está sempre relacionada com o grau de investimento. Do corte de despesas para uma queda na produção não são precisos muitos passos.

Sugiro, no entanto, outro olhar gerencial. Não apenas analisar “o que cortar”, mas “como fazemos”. Não apenas ver os “itens”, mas o “modo” como trabalhamos.

Nessa perspectiva, um importante aliado na lucratividade do negócio pode ser a escolha adequada do método de pastejo, p. ex. a implantação da “Permanência fixa dos animais na pastagem”.

Os diferentes métodos de manejo de pastagens podem ser agrupados em três principais alternativas com suas variantes: Rotacionado – convencional, em faixa ou com 2 grupos de animais; Diferido – quando a pastagem é deixada em descanso, sem animais, por algum período de tempo para que haja acúmulo de forragem para o uso posterior; e o Contínuo – que prefiro denominá-lo “Permanência fixa dos animais na pastagem”.  .

É preciso não confundir “pastejo contínuo” com “extensivismo”. A maioria dos pecuaristas pensa que fazer pastejo contínuo é colocar um grupo de animais numa área e largá-los lá, sem monitoramento, sem meta nenhuma. Isso, na verdade, é ausência de método, é puro extrativismo dos recursos naturais disponíveis, como bem disse o Prof. Sila Carneiro Filho (ESALQ) em entrevista à jornalista Maristela Franco (2008).

Esse método de “colheita” de forragem exige uma avaliação realista da capacidade de cada pasto na produção anual de matéria seca (MS), já que não existe “colheita contínua” de forragem por parte dos animais, o que existe é “presença contínua” deles na área. Um perfilho (unidade básica de crescimento da planta) somente é visitado a cada 30 dias nesse método de pastejo, devido ao correto ajuste da pressão de pastejo – número de animais (kg de Peso Vivo) por unidade (kg) de forragem disponível, Mott (1960), – proporcionado pelo ajuste da taxa anual de lotação por hectare (UA/ha).

Alguns benefícios desse método:

  1. Maior desempenho zootécnico dos animais proporcionado pela maior oportunidade de pastejo seletivo e conseqüente ingestão de uma dieta de melhor qualidade. Segundo Walker (1995), a seleção da dieta é a chave do processo que influencia o “status” nutricional do animal. Isto reforça a importância da seletividade para o desempenho animal.
  2. Maior saldo de energia disponível para produção, devido a menor demanda da energia consumida diariamente, para mantença corporal, proporcionada por um menor tempo de pastejo (TP), maior facilidade de preensão da forrageira e o conforto animal.
  3. Menor demanda por fertilizantes e insumos, devido à utilização sustentável das pastagens.
  4. Maior lucratividade proporcionada pela otimização da utilização de insumos por arrobas produzidas.

O aumento de produção é devido ao:

  • Aumento de até 15% de vacas prenhes na Estação de Monta.
  • Aumento de10 a15% no peso de desmama.
  • Maior eficiência na relação peso da vaca x peso do bezerro a desmama.
  • Aumento do percentual de animais na cabeceira de desmama.
  • Aumento de até 30% no ganho médio diário de peso dos animais em recria no período de outubro a abril no Brasil Central.
  • Melhor Escore Corporal das vacas em produção.
  • Possibilidades de descarte de vacas sem necessidade do período de engorda por estarem com uma deposição de gordura suficiente para o abate.
  • Menor gasto direto por unidade animal (UA)
  • Maior margem líquida nas arrobas vendidas por incorporar menor custo total.

É bem certo que teremos muitas incertezas pela frente para os próximos anos, mas como sempre a receita requer: conhecimento e foco na objetividade.

 

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O que é um bom touro?

Não é difícil constatar que os touros TOPs em peso são conclamados melhoradores em relação aos touros médios. No entanto, eles estão gerando o retorno esperado? A expectativa de lucratividade se realiza?

Observamos dois fenômenos:

1. Os touros TOP’s peso – com DEp’s altas – são vendidos por preços maiores. É uma consequência da lei do mercado: há demanda por qualidade genética.

2. Essa demanda parece justificável, isto é, ela se apresenta à primeira vista como economicamente razoável. Se um touro gera +20 kg de peso ao sobreano e procria 100 bezerros durante a sua vida, considerando o quilo a R$ 3,00, esse touro valeria R$ 6.000,00 mais do que o touro médio.

Diante desses dois pontos, podemos concluir: a lucratividade no setor deve estar aumentando, já que está havendo um investimento em produtividade. Estamos trabalhando com maior eficiência. Correto?

Infelizmente, não. O cálculo na pecuária não é apenas uma conta de multiplicação de fator único. Ou melhor, em nenhum setor da economia a análise quantitativa resolve a questão da lucratividade.

O cálculo não deve ser apenas quantitativo, mas qualitativo. Aumento de peso não é sinônimo de genética de qualidade. Ela não é resultado de um único fator, mas de um conjunto de aspectos. E o ponto ótimo – a lucratividade – está no equilíbrio ótimo, não no ponto máximo.

Por exemplo, não podemos desprezar os antagonismos genéticos. Crescimento de peso (positivo em tese) gera aumento de peso ao nascer (nem sempre positivo). O peso ao sobreano impacta no tamanho adulto (aumento de custo de mantença do rebanho). A relação entre área de olho de lombo, gordura subcutânea e o rendimento de carcaça: onde está o equilíbrio?

Os sumários – análises meramente quantitativas – não respondem a essas questões. Significa então que eles não servem para nada? Não, podem ser muito úteis, desde que analisados dentro do contexto global, e não como um tapa-olho para as outras características.

Os sumários oferecem elementos muito úteis, mas é preciso ter presente que eles não dão a resposta final. Não basta lê-los, é necessário um trabalho de ponderação. Afinal, lucratividade não é volume, e sim eficiência.

Por isso, a análise do valor genético de um touro não é simples. É preciso observação e medição dos diversos fatores envolvidos, que não estão apenas no touro em si, mas no ambiente em que ele trabalhará, no sistema de produção específico implantado na fazenda e nos seus objetivos pretendidos, etc.

A qualificação do bom touro não se assemelha tanto a uma fotografia (análise instantânea), e sim a um filme (um processo no tempo), com idas e vindas, num aprendizado contínuo, no qual se testa e se retifica, inova-se e ao mesmo tempo controlam-se alguns parâmetros, para depois medir os resultados, etc.

Complicado? Nem tanto. Difícil mesmo é perceber que, a cada ano que passa, aumentam-se os pesos dos animais, compra-se mais “qualidade” (DEP’s altas), mas depois não se vê o retorno esperado. A grande expectativa no ato da compra daquele touro melhorador, daquele sêmen, não se realiza no fechamento do ano. E queiramos ou não, a realidade está mais próxima do balanço financeiro do final de ano do que no folder do marketing.

Genética para produção de carne em pastagem

HACKNEY 3941 IRCA