Do Pasto ao Embarque:

  1. Em climas de temperaturas elevadas, deve-se escolher os horários menos quentes, para locomover os animais do pasto ao curral de embarque.
  2. Ao movimentar os animais, deve-se colocar um vaqueiro atrás do lote e outro na frente “como guia” para direcionar e acalmar os animais no trajeto até o curral.
  3. É interessante que os vaqueiros conduzam uma vara leve de mais ou menos 1,50 m, direcionadas para cima, de modo facilitar a visualização e localização deles pelos animais.
  4. Não é recomendável o uso de vara com ferrão nem mesmo cutucar os animais com a vara, estas devem ser usadas unicamente para melhorar a visibilidade dos vaqueiros pelos animais.
  5. Preferencialmente, deve-se formar as escalas de abate, com animais de mesmo padrão racial, pesos, idades e sexo, evitando-se contusões geradas por brigas.
  6. Levando-se em conta as distâncias da fazenda ao frigorífico deve-se fechar o lote no curral 6 a 12 horas antes do embarque. Seria interessante ter água de boa qualidade à disposição dos animais.
  7. Essa permanência no curral antes do embarque além de outros benefícios, favorece a movimentação e apartação dos animais, facilitando as pesagens pré-embarque e a colocação deles no caminhão, evitando o uso de “choques”.

No caminhão, entre a fazenda e o frigorífico:

  1. Tão ou mais importante quanto esse período de “descanso” no curral da fazenda, serão os 30-40 minutos (tempo para tomar um café) que o caminhoneiro deverá esperar para iniciar a viagem após o embarque. Isso ajuda os animais a se acomodarem no veículo diminuindo o risco de lesões de transporte promovendo um menor nível de stress, o que comprovadamente, tem-se um maior índice de aproveitamento para o abate.
  2. Outro importante ponto é a densidade de carga no caminhão. Hoje já encontramos vários tipos de caminhões, desde os tradicionais “caminhões boiadeiros”, tipo “truque” até os “cavalos mecânicos” que rebocam carretas longas ou com dois andares, “bi-trens”, entre outros, com variadas dimensões de área útil para os animais.
  3. Do ponto de vista econômico, procura-se transportar os animais empregando alta densidade de carga, no entanto, este procedimento tem sido responsável pelo aumento das contusões e estresse dos animais, sendo inadmissível densidade superior a 550Kg/m2 (TARRANT et al., 1988,1992). No Brasil, a densidade de carga utilizada é em média de 390 a 410Kg/m2 (Roberto de Oliveira Roça,2002).

No frigorífico:

  1. O monitoramento do tempo ideal compreendido entre a saída do pasto e o abate, (horas no curral da fazenda antes do embarque + horas de viagem + permanência no curral de descanso no frigorífico), é importante para haver o esvaziamento do conteúdo gástrico, diminuindo as chances de contaminação da carcaça no momento da evisceração.
  2. É muito importante que os animais tenham à disposição água de boa qualidade no curral de descanso do frigorífico, favorecendo a dieta hídrica necessária para que eles se recuperem totalmente das perturbações surgidas pelo deslocamento da fazenda até o frigorífico.
  3. O período de descanso aliado à dieta hídrica, favorecerá a hidratação do corpo do animal, facilitando a esfola, diminuindo as chances de rupturas do couro e, promovendo a recuperação das taxas de glicogênio no músculo, melhorando a qualidade da carne.
  4. A recomendação técnica é de que os animais devem permanecer em descanso por 24 horas nos currais do frigorífico, com jejum, banhos com aspersão (para reduzir a excitação dos animais e a vaso-constrição sangüínea periférica) e dieta hídrica. Podendo este período ser menor (mínimo de 12 horas) em função da distância percorrida.
  5. A movimentação dos animais do curral de descanso ao “corredor da ducha pré-abate” deverá ser feita com bastante calma, usando uma pequena vara com bandeira na extremidade, evitando-se o uso do “choque”.

Considerações finais:

  1. Procure obter informações sobre a idoneidade dos proprietários dos frigoríficos que atuam na sua região. Selecione os que demonstram respeito aos seus fornecedores e cliente.
  2. Invista no relacionamento pessoal com a equipe de compra do frigorífico. Lembre-se que seu produto tem um diferencial de qualidade e isto precisa ser demonstrado, comprovado e reconhecido por esta equipe.
  3. É muito importante que você identifique “sintonia” entre o que você produz com qualidade e as boas práticas e processamentos industriais utilizados pelo frigorífico para entregar ao consumidor esse produto diferenciado. Um alimento nobre que agrega segurança alimentar e responsabilidades em relação às condições sociais dos que trabalham e preservação dos meios de produção.

Este artigo foi publicado no portal BeefPoint em 07/10/2008, com a colaboração de Bruno Monteiro.