A escolha de animais para seleção leva em conta fatores externos, como o ambiente, e internos, a exemplo da consangüinidade. Em ambos os aspectos, de acordo com Maurício José de Lima, gerente de desenvolvimento de produtos da Lagoa da Serra, o Nelore IRCA, produzido na Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, GO, do engenheiro agrônomo José da Rocha Cavalcanti, apresenta diferenciais importantes tanto para selecionadores de Nelore PO quanto para os voltados a rebanhos comerciais.

“A seleção IRCA, além de ser selecionada a pasto, apresenta outra grande contribuição: trata-se de famílias selecionadas há mais de 80 anos de linhagens abertas, pouco utilizadas no nelore brasileiro, representando, portanto, uma alternativa para evitar a consangüinidade, que tem apresentado níveis preocupantes no nelore brasileiro”, justifica Lima, primeira pessoa a contratar um touro IRCA para coleta em central de inseminação artificial.

Outra vantagem, em sua opinião, é a seleção nacional: “Para quê buscar animais na Índia, correndo riscos sanitários, se existem linhagens selecionadas aqui mesmo no Brasil, como é o caso do Nelore IRCA?”, reforça.

Para produtores de bezerros comerciais, a contribuição do IRCA, na avaliação de Lima, responde a uma recomendação encontrada há muito tempo nos manuais de melhoramento: a avaliação dos reprodutores no mesmo ambiente em que seus filhos serão criados. “Sabemos que mais de 80% de toda a carne brasileira são produzidos a pasto. Não há, então, porque selecionar animais “arraçoados” se seus produtos serão terminados em pastagens. Esse é um dos grandes diferenciais do Nelore IRCA”, acrescenta.