Em breve, dados coletados por meio da ultrassonografia no rebanho do Nelore IRCA, produzido na Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, GO, do engenheiro agrônomo José da Rocha Cavalcanti, possibilitarão aos criadores conhecer melhor esses animais em termos de eficiência de carcaça.

De acordo com o responsável pela coleta dos dados, Fabiano Araújo, diretor da AVAL, o procedimento permite boa acurácia. Ele explica que a ultrassonografia capta imagens da área de olho de lombo, avaliando musculosidade (rendimento de carcaça quente e de desossa) e acabamento, e da garupa do animal, que avalia a EGP8 (Espessura de Gordura Ponto 8), possibilitando avaliar gordura e acabamento. Em termos de melhoramento, ele atesta que a utilização da ultrassonografia é recente, mas, para pesquisas, está disponível no Brasil desde 1992/94.

Sobre a adoção da ultrassonografia por Cavalcanti, Araújo afirma que, além do pioneirismo, o criador já vislumbra a demanda que pode existir daqui a dez ou 15 anos. Ele destaca que, apesar de não haver trabalho comparativo do IRCA com outros rebanhos, devido a sua variabilidade, Cavalcanti conseguirá animais de qualidade dentro da linhagem. Para selecionadores de Nelore PO, ele acredita que o IRCA pode contribuir em termos de habilidade materna. Já para produtores de bezerros comerciais, em termos de rusticidade e precocidade.

Entusiasta

“É um rebanho muito diferenciado, com poucas amarrações com rebanho de fora, pois foram utilizados animais próprios da fazenda, com grau razoável de consangüinidade”. Este é a definição que Luiz Alberto Fries, professor da Unesp Jaboticabal e responsável pela avaliação genética do Nelore IRCA, atribui à linhagem.

Fries valoriza a genética do IRCA – “Quando saem do rebanho, esses animais produzem melhor ainda do que dentro do rebanho” – e enxerga na seleção características particulares de manejo, do ponto de vista de produção, além de idéias inovadoras de comportamento animal.

“São extraordinários, um trabalho muito bom para animais precoces, com boa musculatura. Tenho confiança no que vi: serão animais muito interessantes”, completa, comentando que essa atitude inovadora facilita na busca de soluções para situações em que é difícil diferenciar o que é ambiental e o que é genético na seleção.

O professor acaba de receber informações genéticas que, após análise, “contribuirão para a continuidade desse criterioso trabalho de seleção do IRCA”.