Uma seleção que teve início em 1916, na Usina Serra Grande, em São José da Lage, AL, com 40 cabeças, pelas mãos do Cel. Carlos B. P. de Lyra, atravessou o século XX e chegou ao XXI, tendo como foco a eficiência do animal a pasto, como atesta o responsável pelo Nelore IRCA, José da Rocha Cavalcanti, bisneto do Cel. Lyra, proprietário da Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, GO.

Para Cavalcanti, “o IRCA é uma linhagem com um programa de seleção dentro do padrão racial supervisionado pela ABCZ, selecionando uma genética na qual os animais são eficientes tendo o pasto como dieta”. Em sua opinião, é uma opção interessante devido às características saudáveis que proporciona, por ter seu genótipo selecionado em um ambiente natural, ou seja, é bom tanto em genética, quanto em economia.

“O mais importante é termos genética de produção de carne de qualidade e eficiente em ambiente de capim. O objetivo é obter a maximização da renda líquida”, justifica, afirmando que a seleção IRCA apresenta como diferenciais o abate de animais jovens – entre 22 e 28 meses -, que apresentam média de peso entre 16 e 18 arrobas, com bom acabamento de gordura, e fêmeas férteis e de boa capacidade de desmame.

Para obter animais com esse potencial, segundo Cavalcanti, quatro características são extremamente importantes: fertilidade, acabamento de carcaça com precocidade, boa habilidade materna e seleção a pasto. “A seleção do Nelore IRCA tem essa filosofia mantida em uma tradição de 88 anos”, destaca.

Nesse processo de seleção, sempre atento aos princípios da produção de carne a pasto, a utilização de novas tecnologias é bem-vinda. Recentemente, foi a ultrassonografia que conquistou Cavalcanti, para quem a avaliação do rendimento da carcaça tem como pré-requisito decompor o peso vivo que o animal apresenta na balança em quilos de carne de boa qualidade por unidade de carcaça.

Segundo ele, o peso em si não reflete quanto de carne há na carcaça: “Pode-se ter um animal de elevado peso e baixo rendimento de carcaça. O mais importante é selecionar os melhores animais com essa característica, tanto visualmente, quanto com o auxílio da ultrassonografia, que transforma em dados numéricos as imagens da área de olho de lombo e da espessura de gordura”, explica.

O objetivo do uso da ultrassonografia, de acordo com Cavalcanti, é somar essas informações àquelas obtidas na avaliação visual. “Acreditamos que a ultrassonografia auxiliará a ter uma informação consistente, que a balança não mostra. Balança só mostra peso. Podemos ter um animal de 500 kg ‘magro’ e um de 480 kg ‘gordo’ e com bom rendimento”, acrescenta.

O que o levou a adotar essa tecnologia foi o desejo de oferecer aos clientes da genética IRCA informações mais precisas, montar um banco de dados que possa auxiliar nas decisões. “O produtor de genética precisa estar consciente de suas responsabilidades, pois o resultado de seus clientes dependerá de suas decisões. Quando trabalhamos com espécies de intervalos de geração mais longos, como os bovinos, a vida se torna curta para absorver nossos erros”, reforça.