Em 16/10/2009, o conhecido e respeitado site Beef Point trouxe um texto intitulado “Especialistas discutem alterações de sabor na carne”, que deve merecer a maior atenção de todos os pecuaristas de corte do País. O tema era a ocorrência de alterações no gosto da carne bovina, relatada por um leitor do jornal “O Estado de São Paulo.

Foto Confinamento

Disse ao jornal o prof. Pedro Eduardo de Felício, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, mesmo sendo impossível dizer exatamente a qual sabor estranho o leitor se referia, que a literatura fazia referências “ao mais comum”, o chamado sabor de fígado (em inglês, liverlike of flavor), mais observado no gado confinado e atribuído ao uso de ração contendo óleos vegetais, comumente de caroço ou semente de algodão, fontes de baixo custo e ricas em lipídios e proteínas. Por isso, o professor alertava: o problema, com o tempo, pode prejudicar a venda de nossa carne bovina.

O jornal recebeu (e publicou) carta de outro especialista, o também professor Dante Pazzanesse Duarte Lanna, da USP e diretor técnico da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), para quem as causas também poderiam ser outras. Possibilidades por ele aventadas: em geral, as churrascarias se abastecem de carne antes da entressafra, em junho/julho, para se prevenir contra altas de preços; depois, essa carne vai ser servida “muitas vezes no limite do seu prazo de validade, causando problemas de sabor”, principalmente nos cortes maturados bem passados. Quanto ao caroço de algodão, garante o professor Lana, ele não altera o sabor da carne bovina, se utilizado nas dietas dentro do limite recomendado (fixado pelos nutricionistas em 17%). Também relatou vários experimentos feitos pela Assocon, indicando alteração de sabor, mas só esse limite foi superado em 100%.

Vários leitores se manifestaram no site, assim que o artigo foi publicado: médicos veterinários, produtores de gado, diretores e técnicos de frigoríficos, gente que sabe de carne e aprecia um bom churrasco. Para os que se manifestaram, quase com unanimidade: a carne bovina produzida no País está sob sério risco, principalmente porque há utilização indiscriminada de subprodutos da agricultura para sua alimentação, em especial nos confinamentos.

Estou trazendo o tema para o meu blog porque também me manifestei a respeito, em mensagem ao Beef Point, e porque considero o debate dessa questão da mais alta relevância. Sou produtor de carne, crio Nelore, e vejo com extrema preocupação não só o uso do caroço de algodão (impregnado de defensivos agrícolas), mas também de outros resíduos da agricultura, impregnados de agrotóxicos. Considero estar havendo uma despreocupada utilização de aditivos e tecnologias anunciadas como novidades e que parecem até querer transformar o bovino ruminante em um suíno monogástrico.

Para mim, é preocupante a facilidade com que se divulgam e promovem, nos mais diferentes meios – das universidades aos veículos de comunicação especializados -, tecnologias copiadas sem mais aquela dos sistemas americanos e canadenses de produção de carne VERMELHA.

Precisamos cada vez mais de pesquisa genuinamente brasileira para melhorar a eficiência de um sistema natural, a pasto, alicerçado no tripé “biotipo animal, manejo das pastagem e protocolos sustentáveis”, para a produção de um alimento nobre por transformar gramínea de baixa qualidade em carne SAUDÁVEL.

Produção de carne a pasto

Acredito firmemente que essa carne terá demanda assegurada no futuro para os mais exigentes mercados. Mais que isso, tenho a certeza de que sua produção sempre estará inserida entre os sistemas mais lucrativos para os pecuaristas.

Convido-o a ler com atenção o que foi divulgado pelo Beef Point. Para isso, acesse www.beefpoint.com.br   Essa é uma questão do seu mais alto interesse.