Produtores de carne geralmente carecem de uma assessoria econômica para gestão da produção. Habitualmente, a maioria das informações que lhes chega vêm de pesquisas sobre novas tecnologias, as quais nem sempre estão devidamente conectadas com a lucratividade. E, o que é pior, vendidas como verdadeiras panacéias.

A evolução dos programas de melhoramento e da nutrição animal tem trazido, nos últimos anos, propostas inovadoras para eficiência de produção, mas infelizmente, muitas vezes, elas não se revelam igualmente eficazes.

Em minha família, as gerações que me antecederam na seleção do Nelore IRCA consideravam importante para quem produz genética um exercício constante: tentar antever o cenário “produto x consumo” pelo menos dez anos à frente.

Essa filosofia vem sendo mantida: na Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, não se busca, na seleção, chegar aos “extremos” e sim ao ponto “ótimo” de cada característica essencial na produção de carne.

Acredito que, o melhor caminho para alcançar um bom resultado no futuro é selecionar com base nos seguintes pontos:

– monitoramento persistente dos resultados, com foco na obtenção de animais equilibrados fenotipicamente;

– fertilidade associada com permanência produtiva no plantel,

– peso associado com qualidade de carne,

– busca de animais que se mostrem eficientes na utilização racional (vale dizer, natural, sem artificialismos) dos recursos naturais (as pastagens).

Como se vê: nada de miraculoso ou mirabolante. Sem apelar para as “novidades” do momento. Creio que é dessa forma que conseguiremos eficácia nos nossos sistemas de produção.

Sugiro sempre aos meus amigos pecuaristas que tenham em mente a identificação precisa do quê e para que mudar. E insisto: nosso principal objetivo será sempre, e cada vez mais, oferecer ao consumidor uma carne tenra, nutritiva, saudável, produzida sem riscos ao meio ambiente. É essa a carne que será crescentemente exigida para consumo.

A pesquisa genética precisará estar permanentemente focada em promover o melhoramento, mas igualmente comprometida em fornecer o modelo de animal que gera mais renda ao produtor e que possa atender aos atributos que o mercado deseja – e se dispõe a remunerar adequadamente –, não só pela sua qualidade, mas também pelo reconhecimento de que ela é produzida com máximo aproveitamento dos cada vez mais escassos recursos naturais.

A entrada na Era do Conhecimento está colocando os consumidores diante de uma nova realidade, antes insuspeitada: produto de qualidade para gerar excelência é necessário inserir nos protocolos de produção: comprometimento com a ética, com a qualidade de vida, com a responsabilidade no uso dos recursos naturais e com todos os aspectos relacionados à segurança alimentar

O Brasil, que está fortemente inserido no mercado internacional com volumosas e crescentes exportações de carne, estará cada vez mais pressionado a seguir estas tendências, ditadas pelos consumidores que cada dia mais leva em conta um fator muito importante na decisão de compra: a relação de confiança de que os produtos prezam pelos conceitos relevantes em seus novos hábitos de consumo.

Pastos na transição inverno-primavera de 2010

Novilhas pastando na transição inverno-primavera 2010

Seleção de genética para produção de carne a pasto