RMat: um índice de alto retorno*.

 Tenho observado que muitos criadores de gado de corte, mesmo reconhecendo a importância de dedicar especial atenção às características produtivas de suas vacas, não mostram o interesse devido em relação ao melhoramento genético das matrizes.

 Nunca é demais repetir a recomendação dos técnicos, que sempre reforçam num ponto: não basta a fêmea de um rebanho produzir bezerros com bom desempenho futuro, e até ser precoce, se não tiver “permanência produtiva”, isto é, repetir essa performance ao longo de sua vida e manter essas qualidades em suas filhas.

O que me leva a trazer esse tema ao site é a publicação de um artigo a respeito do assunto na edição de 11 de novembro de 2006 do BeefPoint. Intitulado “RML: em busca de touros femeiros”, o texto é de autoria de uma equipe de pesquisadores da Gensys Consultoria, e enfatiza a importância de, nos programas de produção de gado de corte, agregar ao rebanho vacas de alta eficiência produtiva.

 A consequência será a obtenção de um sensível ganho na taxa de desfrute, com igualmente grande melhoria na rentabilidade na exploração.

 Recomendo a leitura do artigo. Nele se evidencia que as características relacionadas à precocidade sexual, longevidade produtiva, habilidade em desmamar bezerros sadios e de elevado desempenho, entre outras qualidades das matrizes, são fatores determinantes para a eficiência e permanência produtivas das vacas.

 De saída, enfatizam que, ao se falar em eficiência produtiva de vacas Nelore, é preciso ter em mente que se trata de “um biótipo extremamente adaptado ao nosso clima e às nossas condições predominantes de criação, caracterizadas por pastagens de baixo valor nutritivo, por longos períodos de seca e de restrição alimentar. Sem falar na presença de parasitas e de outros fatores que ocasionam ambientes desafiadores”.

Vacas Nelore, além disso, são capazes de parir até mais de 10 bezerros em sua vida produtiva, em monta natural. Têm peso adulto moderado – portanto apresentam custo de mantença menor do que as matrizes de porte mais elevado – e possuem boa habilidade materna, suportando condições de restrição alimentar que seriam desastrosas em outras raças. Por todas essas características, o esforço a ser empreendido para aumentar a eficiência produtiva do rebanho sob seleção é muito bem recompensado.

Explicam os especialistas da Gensys que a busca de melhoria nessa área tem um forte aliado: o Retorno Maternal (Rmat), característica que expressa uma “estimativa do retorno por vaca em kg de peso vivo produzido ao ano, descontado o custo estimado de mantença”. E enfatizam que esse retorno não é avaliado somente em relação ao peso, mas igualmente quanto à sua composição, já que o índice engloba as DEPs de conformação, precocidade e musculatura das progênies.

Outro ponto a destacar no RMat é que, para a aferição da “permanência produtiva”, leva-se em conta o número de partos de cada matriz avaliada até os 4 anos de idade, o período crítico para qualquer fêmea, em razão da medição do percentual de reconcepção das primíparas. Com isso, dá-se ênfase também à precocidade sexual das matrizes, uma característica de alta herdabilidade.

Sugiro que os criadores procurem conhecer em detalhe a composição do RMat e as justificativas apresentadas pelos especialistas da Gensys para a ponderação feita. Para chegar a seus resultados, eles levantaram dados de 80.000 matrizes participantes do Programa Conexão Delta G, que geraram valores de RMat diferenciados para as diferentes classes de vacas com parição (ou falhadas) e o número desses partos, até os 4 anos.

A grande contribuição do RMat à atividade pecuária não está, porém, na indicação de vacas com maior ou menor mérito produtivo e, sim, na “identificação e seleção de touros que deixam uma contribuição genética expressiva para o rebanho: grande proporção de filhas nascidas permanecem em produção – e bem – por vários anos”.

Será com essa ferramenta que o pecuarista direcionará de modo mais eficiente os acasalamentos a fazer.

No artigo publicado no BeefPoint, os especialistas da Gensys revelam que, ao comparar resultados de touros deca 1 (os 10% superiores da seleção) com os deca 10 (os 10% inferiores), para a DEP RMat, constata-se que:

1) touros deca 1 apresentaram filhas com maior permanência produtiva do que os touros deca 10;

2) touros deca 1 apresentaram maior proporção de filhas sexualmente precoces em comparação com os touros deca 10;

3) as filhas dos touros deca 1 apresentaram performance da progênie superior em comparação com as filhas dos touros deca 10.

Traduzindo esses resultados em números, o artigo aponta que “os touros deca 1 apresentaram filhas com retorno estimado 81% superior em relação ao das filhas dos touros deca 10, com diferença esperada nas futuras filhas igual a 36,0 kg/mês”.

Uma conta simples, com base no valor de R$70,00 para a arroba produzida: essa diferença esperada seria de aproximadamente R$84,00/filha/ano.

Vale a pena, pois, acompanhar de perto a quantas anda a “permanência produtiva” das fêmeas do rebanho e servi-las por touros (ou sêmen) que demonstrem alto RMat.

*José da Rocha Cavalcanti

Nelore IRCA – o Nelore Carne

CEIP 020 – MAPA

São Miguel do Araguaia, GO.