O padrão racial da raça nelore é enfático: o osso sacro não deve ser saliente, mas sim no mesmo nível das ancas. O sacro saliente, em geral, corresponde à garupa inclinada e escorrida lateralmente (cortante), o que constitui um grave defeito para os parâmetros da raça.

Mãe e filho com bons ossos sacros.

No entanto, o que poderia ser apenas uma questão “estética” tem uma profunda relação com a facilidade dos partos. A pelve, do ponto de vista anatômico, é um complexo osteoligamentoso, constituído pelo ílio, ísquio e púbis, unidos entre si pelo sacro, as três primeiras vértebras coccígeas e o ligamento sacro isquiático. Durante o parto amplia-se a cavidade pélvica, especialmente em seu diâmetro vertical e transversal, devido ao relaxamento e embebição dos ligamentos, desviando o osso sacro para cima. Dessa forma, os ângulos internos do ílio separam-se notavelmente, permitindo o parto. Quanto mais plano (e curto) for o sacro, mais móvel será em suas conexões articulares. Consequência: mais fácil será o parto.

Touro com boa garupa e osso sacro plano

Pesquisadores relacionam a maioria dos casos de distocia com a incompatibilidade entre as dimensões do bezerro e da abertura pélvica da parturiente, pelo excessivo peso ao nascer ou reduzido diâmetro pélvico da gestante. Este assunto ganhou relevância ultimamente, tendo em vista que a seleção animal pode acabar indiretamente agravando o problema:

a) parturientes menores. Busca-se diminuir a idade do primeiro parto das novilhas. É vantajoso, naturalmente; mas exige alguns cuidados, já que os partos mais difíceis ocorrem em animais de primeiro parto e, quanto mais jovens, maior a incidência de partos distócicos.

b) bezerros maiores, em razão da seleção animal ser feita exclusivamente pelo critério de peso. Têm-se animais cada vez mais mais pesados. Naturalmente, isso é positivo, mas pode acarretar sérios problemas de distocia, por causa do elevado peso ao nascer dos animais.

Bezerra com bom comprimento de garupa e osso sacro plano.

O melhoramento animal requer cuidados, requer equilíbrio. Por isso, a seleção IRCA prioriza essa característica morfológica (osso sacro) na avaliação visual, buscando uma visão mais global do melhoramento genético.