BEZERROS ao NATURAL 2

 

Não é raro ouvir que a cria é uma atividade de baixa rentabilidade. No entanto, entre as atividades de produção de gado de corte, penso que a cria tem a capacidade de proporcionar a melhor e mais segura rentabilidade, quando se considera o longo prazo.

Logicamente, para que isso ocorra, faz-se necessária uma boa gestão – o que está longe de significar uma gestão complicada.

Para uma boa rentabilidade no rebanho comercial (não me refiro aos produtores de genética), o caminho que sugiro é o abate anual de 25% das fêmeas que entraram na estação de monta. Com esse abate, além da venda de 30% das bezerras de desmama e 20% dos touros com mais de cinco anos de uso, pode-se custear a manutenção de um rebanho de cria comercial e manter o estoque estável. Com isso, seu rebanho se torna um provedor de seu fluxo de caixa, além de agregar produtividade.

Com o custeio zerado pelas vendas acima, a produção de bezerros machos torna-se o resultado anual da atividade da cria.

O essencial é ter uma política de identificação das vacas de descarte. O acerto (ou desacerto) dessa estratégia será decisivo para a eficiência da sua criação. Abaixo, listo cinco critérios para um descarte eficiente. São bem simples, e não exigem planilhas complicadas. Apenas uma decisão firme de melhorar a eficiência do rebanho.

1-Vacas vazias. Descarte certo, podendo dar uma segunda chance para as destaque de produção.

2-Vacas de pouco leite, identificadas no desmame mesmo que esteja prenhe.

3-Vacas que exigem atenção individual. Aumentam o custo de manutenção, diminuindo a produtividade.

4-Vacas brabas podem ser marcadas a fogo com um ferro “V” (para Venda) quando forem por qualquer motivo de manejo, identificadas.

5-Vacas com bezerros fundos. Uma sugestão de identificação: na hora do desmame, separe os bezerros fundos dos outros e os mantenha separados das vacas por uma noite. Ao colocá-los de volta com as vacas na manhã seguinte, você identificará facilmente quem são as suas mães – que devem ser descartadas.

O ideal é ter um pasto próprio para as vacas de descarte. Caso não seja possível, identifique-as claramente; por exemplo, marcando um v (de venda). Lembre-se: não é um detalhe. Se fizer bem o descarte, boa parte da eficiência da sua criação estará garantida.