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Melhoramento genético para um novo tempo

Artigos | Data de publicação: 18 de outubro de 2010


nelore irca

Produtores de carne geralmente carecem de uma assessoria econômica para gestão da produção. Habitualmente, a maioria das informações que lhes chega vêm de pesquisas sobre novas tecnologias, as quais nem sempre estão devidamente conectadas com a lucratividade. E, o que é pior, vendidas como verdadeiras panacéias.

A evolução dos programas de melhoramento e da nutrição animal tem trazido, nos últimos anos, propostas inovadoras para eficiência de produção, mas infelizmente, muitas vezes, elas não se revelam igualmente eficazes.

Em minha família, as gerações que me antecederam na seleção do Nelore IRCA consideravam importante para quem produz genética um exercício constante: tentar antever o cenário “produto x consumo” pelo menos dez anos à frente.

Essa filosofia vem sendo mantida: na Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, não se busca, na seleção, chegar aos “extremos” e sim ao ponto “ótimo” de cada característica essencial na produção de carne.

Acredito que, o melhor caminho para alcançar um bom resultado no futuro é selecionar com base nos seguintes pontos:

– monitoramento persistente dos resultados, com foco na obtenção de animais equilibrados fenotipicamente;

– fertilidade associada com permanência produtiva no plantel,

– peso associado com qualidade de carne,

– busca de animais que se mostrem eficientes na utilização racional (vale dizer, natural, sem artificialismos) dos recursos naturais (as pastagens).

Como se vê: nada de miraculoso ou mirabolante. Sem apelar para as “novidades” do momento. Creio que é dessa forma que conseguiremos eficácia nos nossos sistemas de produção.

Sugiro sempre aos meus amigos pecuaristas que tenham em mente a identificação precisa do quê e para que mudar. E insisto: nosso principal objetivo será sempre, e cada vez mais, oferecer ao consumidor uma carne tenra, nutritiva, saudável, produzida sem riscos ao meio ambiente. É essa a carne que será crescentemente exigida para consumo.

A pesquisa genética precisará estar permanentemente focada em promover o melhoramento, mas igualmente comprometida em fornecer o modelo de animal que gera mais renda ao produtor e que possa atender aos atributos que o mercado deseja – e se dispõe a remunerar adequadamente –, não só pela sua qualidade, mas também pelo reconhecimento de que ela é produzida com máximo aproveitamento dos cada vez mais escassos recursos naturais.

A entrada na Era do Conhecimento está colocando os consumidores diante de uma nova realidade, antes insuspeitada: produto de qualidade para gerar excelência é necessário inserir nos protocolos de produção: comprometimento com a ética, com a qualidade de vida, com a responsabilidade no uso dos recursos naturais e com todos os aspectos relacionados à segurança alimentar

O Brasil, que está fortemente inserido no mercado internacional com volumosas e crescentes exportações de carne, estará cada vez mais pressionado a seguir estas tendências, ditadas pelos consumidores que cada dia mais leva em conta um fator muito importante na decisão de compra: a relação de confiança de que os produtos prezam pelos conceitos relevantes em seus novos hábitos de consumo.

Pastos na transição inverno-primavera de 2010

Novilhas pastando na transição inverno-primavera 2010

Seleção de genética para produção de carne a pasto

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O boi ideal

Artigos | Data de publicação: 01 de outubro de 2010


nelore irca

Assistindo o Dia de Campo Nelore ZAN, dia 25 pp., no canal do Boi, foi apresentada aos profissionais ligados à indústria frigorífica, a pergunta: qual seria o boi ideal?

O boi ideal descrito pelo Fernando Saltão do JBS, naturalmente, estava conforme os parâmetros de lucratividade de um frigorífico.

No entanto, para o pecuarista, o boi ideal tem conotações diversas.

Qual é o modelo de animal – o boi ideal – que agrega maior margem de lucro para o criador na hora da venda ao frigorífico?

O boi de 20 arrobas (que para o frigorífico seria ideal), mas que tem um custo de produção equivalente a 19 arrobas, deixando ao criador uma arroba de lucro por boi vendido?

Ou um boi de 16 arrobas, com bom rendimento e acabamento precoce de sua carcaça conseguida numa dieta a pasto, que tem seu custo de produção equivalente a 14 arrobas, com lucro de duas arrobas por boi vendido?

Essa perspectiva de foco no negócio do pecuarista não pode ser ignorada, e as próprias DEPs devem estar informadas por parâmetros econômicos. O importante é o resultado final: maior renda líquida por unidades produzidas.

“O melhoramento genético só cumpre sua função se gerar bons dividendos para quem o utiliza”.

Bezerro no desmame pronto para o abate.
Garrote jovem com boa conformação frigorífica.
Carcaças de novilhos IRCA jovens

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RMat: um índice de alto retorno

Artigos | Data de publicação: 10 de junho de 2010


nelore irca

RMat: um índice de alto retorno*.

 Tenho observado que muitos criadores de gado de corte, mesmo reconhecendo a importância de dedicar especial atenção às características produtivas de suas vacas, não mostram o interesse devido em relação ao melhoramento genético das matrizes.

 Nunca é demais repetir a recomendação dos técnicos, que sempre reforçam num ponto: não basta a fêmea de um rebanho produzir bezerros com bom desempenho futuro, e até ser precoce, se não tiver “permanência produtiva”, isto é, repetir essa performance ao longo de sua vida e manter essas qualidades em suas filhas.

O que me leva a trazer esse tema ao site é a publicação de um artigo a respeito do assunto na edição de 11 de novembro de 2006 do BeefPoint. Intitulado “RML: em busca de touros femeiros”, o texto é de autoria de uma equipe de pesquisadores da Gensys Consultoria, e enfatiza a importância de, nos programas de produção de gado de corte, agregar ao rebanho vacas de alta eficiência produtiva.

 A consequência será a obtenção de um sensível ganho na taxa de desfrute, com igualmente grande melhoria na rentabilidade na exploração.

 Recomendo a leitura do artigo. Nele se evidencia que as características relacionadas à precocidade sexual, longevidade produtiva, habilidade em desmamar bezerros sadios e de elevado desempenho, entre outras qualidades das matrizes, são fatores determinantes para a eficiência e permanência produtivas das vacas.

 De saída, enfatizam que, ao se falar em eficiência produtiva de vacas Nelore, é preciso ter em mente que se trata de “um biótipo extremamente adaptado ao nosso clima e às nossas condições predominantes de criação, caracterizadas por pastagens de baixo valor nutritivo, por longos períodos de seca e de restrição alimentar. Sem falar na presença de parasitas e de outros fatores que ocasionam ambientes desafiadores”.

Vacas Nelore, além disso, são capazes de parir até mais de 10 bezerros em sua vida produtiva, em monta natural. Têm peso adulto moderado – portanto apresentam custo de mantença menor do que as matrizes de porte mais elevado – e possuem boa habilidade materna, suportando condições de restrição alimentar que seriam desastrosas em outras raças. Por todas essas características, o esforço a ser empreendido para aumentar a eficiência produtiva do rebanho sob seleção é muito bem recompensado.

Explicam os especialistas da Gensys que a busca de melhoria nessa área tem um forte aliado: o Retorno Maternal (Rmat), característica que expressa uma “estimativa do retorno por vaca em kg de peso vivo produzido ao ano, descontado o custo estimado de mantença”. E enfatizam que esse retorno não é avaliado somente em relação ao peso, mas igualmente quanto à sua composição, já que o índice engloba as DEPs de conformação, precocidade e musculatura das progênies.

Outro ponto a destacar no RMat é que, para a aferição da “permanência produtiva”, leva-se em conta o número de partos de cada matriz avaliada até os 4 anos de idade, o período crítico para qualquer fêmea, em razão da medição do percentual de reconcepção das primíparas. Com isso, dá-se ênfase também à precocidade sexual das matrizes, uma característica de alta herdabilidade.

Sugiro que os criadores procurem conhecer em detalhe a composição do RMat e as justificativas apresentadas pelos especialistas da Gensys para a ponderação feita. Para chegar a seus resultados, eles levantaram dados de 80.000 matrizes participantes do Programa Conexão Delta G, que geraram valores de RMat diferenciados para as diferentes classes de vacas com parição (ou falhadas) e o número desses partos, até os 4 anos.

A grande contribuição do RMat à atividade pecuária não está, porém, na indicação de vacas com maior ou menor mérito produtivo e, sim, na “identificação e seleção de touros que deixam uma contribuição genética expressiva para o rebanho: grande proporção de filhas nascidas permanecem em produção – e bem – por vários anos”.

Será com essa ferramenta que o pecuarista direcionará de modo mais eficiente os acasalamentos a fazer.

No artigo publicado no BeefPoint, os especialistas da Gensys revelam que, ao comparar resultados de touros deca 1 (os 10% superiores da seleção) com os deca 10 (os 10% inferiores), para a DEP RMat, constata-se que:

1) touros deca 1 apresentaram filhas com maior permanência produtiva do que os touros deca 10;

2) touros deca 1 apresentaram maior proporção de filhas sexualmente precoces em comparação com os touros deca 10;

3) as filhas dos touros deca 1 apresentaram performance da progênie superior em comparação com as filhas dos touros deca 10.

Traduzindo esses resultados em números, o artigo aponta que “os touros deca 1 apresentaram filhas com retorno estimado 81% superior em relação ao das filhas dos touros deca 10, com diferença esperada nas futuras filhas igual a 36,0 kg/mês”.

Uma conta simples, com base no valor de R$70,00 para a arroba produzida: essa diferença esperada seria de aproximadamente R$84,00/filha/ano.

Vale a pena, pois, acompanhar de perto a quantas anda a “permanência produtiva” das fêmeas do rebanho e servi-las por touros (ou sêmen) que demonstrem alto RMat.

*José da Rocha Cavalcanti

Nelore IRCA – o Nelore Carne

CEIP 020 – MAPA

São Miguel do Araguaia, GO.

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Osso sacro: sua anatomia está relacionada à facilidade de partos

Artigos | Data de publicação: 13 de abril de 2010


nelore irca

O padrão racial da raça nelore é enfático: o osso sacro não deve ser saliente, mas sim no mesmo nível das ancas. O sacro saliente, em geral, corresponde à garupa inclinada e escorrida lateralmente (cortante), o que constitui um grave defeito para os parâmetros da raça.

Mãe e filho com bons ossos sacros.

No entanto, o que poderia ser apenas uma questão “estética” tem uma profunda relação com a facilidade dos partos. A pelve, do ponto de vista anatômico, é um complexo osteoligamentoso, constituído pelo ílio, ísquio e púbis, unidos entre si pelo sacro, as três primeiras vértebras coccígeas e o ligamento sacro isquiático. Durante o parto amplia-se a cavidade pélvica, especialmente em seu diâmetro vertical e transversal, devido ao relaxamento e embebição dos ligamentos, desviando o osso sacro para cima. Dessa forma, os ângulos internos do ílio separam-se notavelmente, permitindo o parto. Quanto mais plano (e curto) for o sacro, mais móvel será em suas conexões articulares. Consequência: mais fácil será o parto.

Touro com boa garupa e osso sacro plano

Pesquisadores relacionam a maioria dos casos de distocia com a incompatibilidade entre as dimensões do bezerro e da abertura pélvica da parturiente, pelo excessivo peso ao nascer ou reduzido diâmetro pélvico da gestante. Este assunto ganhou relevância ultimamente, tendo em vista que a seleção animal pode acabar indiretamente agravando o problema:

a) parturientes menores. Busca-se diminuir a idade do primeiro parto das novilhas. É vantajoso, naturalmente; mas exige alguns cuidados, já que os partos mais difíceis ocorrem em animais de primeiro parto e, quanto mais jovens, maior a incidência de partos distócicos.

b) bezerros maiores, em razão da seleção animal ser feita exclusivamente pelo critério de peso. Têm-se animais cada vez mais mais pesados. Naturalmente, isso é positivo, mas pode acarretar sérios problemas de distocia, por causa do elevado peso ao nascer dos animais.

Bezerra com bom comprimento de garupa e osso sacro plano.

O melhoramento animal requer cuidados, requer equilíbrio. Por isso, a seleção IRCA prioriza essa característica morfológica (osso sacro) na avaliação visual, buscando uma visão mais global do melhoramento genético.

 

 

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IRCA – A seleção do nelore Carne.

Artigos | Data de publicação: 11 de fevereiro de 2010


nelore irca

A seleção IRCA tem uma tradição de quase 100 anos (desde 1916).

Nosso principal objetivo é a Eficiência na Produção de Carne a Pasto, logo consideramos de grande importância as características funcionais:
• fertilidade,
• eficiência alimentar (selecionando biótipos eficientes e precoces)
• longevidade produtiva,
• facilidade de partos (tamanho adulto moderado)
• rusticidade (descartamos animais menos saudáveis).

No Brasil, somos o primeiro programa de melhoramento da raça nelore a utilizar a ultrassonografia como suporte para a seleção de características de carcaça, calculando as DEPs  nas avaliações genéticas.

Novilhas prenhes, que serão avaliadas quanto à habilidade maternal para serem credenciadas a fazer parte do plantel na reposição das matrizes anualmente descartadas.

Novilhas prenhes, que serão avaliadas quanto à habilidade maternal para serem credenciadas a fazerem parte do plantel na reposição das matrizes anualmente descartadas.

Avaliamos e selecionamos

• A fertilidade de nossas matrizes: para obter mais bezerros nascidos com o mesmo número de vacas do plantel,
• A habilidade maternal: para colher mais quilos de bezerro desmamados em cada safra anual.
• Priorizando animais mais eficientes na terminação de carcaças a pasto estamos indiretamente selecionando melhor eficiência alimentar.
• Valorizamos matrizes que se mantêm produtivas a pasto por 12 a 15 partos com bons pesos a desmama (Longevidade Produtiva).
• Com metas desafiadoras de produtividade a pasto, animais de tamanho adulto elevado são naturalmente descartados por não atingirem às expectativas.
• Todo animal que necessita de assistência veterinária para sobreviver são descartados impiedosamente.

Valorizamos a Precocidade Sexual de nossos reprodutores, com o objetivo:

  • aumentar o desfrute e
  • encurtar os intervalos entre as gerações selecionadas.

Em 2004, introduzimos pioneiramente na avaliação genética a ultra-sonografia na captação das imagens:

  • Área de olho de lombo (AOL),
  • Espessura de gordura subcutânea (EGS) e
  • Espessura de gordura na ponta da picanha (EGP8).

Este procedimento possibilita uma melhor precisão:

  • Na avaliação do rendimento de carcaça quente e de desossa.
  • Na identificação dos animais com precocidade para acumular 3-6 mm de acabamento a pasto, possibilitando seu abate com menos tempo de engorda.
Garrotes IRCA - sobreano, demonstrando acabamento precoce de suas carcaças.

Garrotes IRCA - sobreano, demonstrando acabamento precoce de suas carcaças.

A seleção IRCA, considera dois pontos muito importantes:

  • Agregar valor ao bezerro no momento da desmama. Um bezerro saudável e pesado ao desmame é o primeiro passo para o abate de um animal jovem.
  • Proporcionar o abate dos animais aos 22-27 meses num sistema de produção totalmente a pasto:
    • Com alta qualidade de carne e bom peso,
    • Com excelente conformação (carcaças convexas) e
    • Cobertura de gordura adequada para proteção da carcaça no resfriamento,
    • Satisfazendo aos mais exigentes mercados atendidos pelo Brasil atualmente.

Nossa seleção tem como base à produção de uma genética que supere a expectativa das fazendas que produz seus animais, quase que exclusivamente a pasto.

Acreditamos que nenhum outro sistema de produção é mais adequado para o Brasil hoje, permitindo a produção de carne segura, saudável, com respeito ao meio ambiente e elevadíssima eficiência econômica.

Avaliações Visuais – através de notas, descreve-se o animal em relação ao TIPO ideal para produção de carne.

Quatro características são avaliadas num sistema de cinco pontos:

  • Três dessas características, as notas refletem o grau de aproximação, ao seu ideal numa ordem crescente de 1 a 5, são elas,
    • (C)-Conformação Frigorífica,
    • (P)-Precocidade e
    • (M)-Musculosidade.
  • A quarta característica (U)-Umbigo as notas refletem o tamanho deste, isto é, a nota 5 reflete o animal com o umbigo excessivamente penduloso, e a nota 1 excessivamente curto, as notas intermediárias refletem a variação de um extremo a outro.

Mais três características, atendendo ao padrão da ABCZ, são avaliadas num sistema de quatro pontos (1 a 4), refletindo cada ponto 25% do ideal, são elas:

  • (R)-Racial,
  • (A)-Aprumos e
  • (S)-Características Sexuais.

Os reprodutores selecionados refletem todo rigor de uma avaliação cuidadosa, num grupo de aproximadamente 400 animais contemporâneos de idade semelhantes, machos e fêmeas, onde por vários filtros seletivos procuramos agregar a melhor genética disponível de todo nosso plantel.

Além do uso de touros provados IRCA, uma proporção significativa das fêmeas em reprodução são acasaladas:

  • Com touros jovens IRCA (que consideramos o futuro do nosso rebanho) e
  • Com touros de outras linhagens desde que os mesmos sejam comprovadamente superiores geneticamente para as características de interesse econômico do nosso programa.

Com esta política do uso de reprodutores jovens temos conseguido:

  • Reduzir o intervalo de gerações e, conseqüentemente,
  • Aumentar o progresso genético;
  • Destacar novos talentos que terão uma contribuição efetiva para o melhoramento da raça.

IRCA – O Nelore Carne.

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