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José da Rocha Cavalcanti:O desafio de produzir carne de qualidade, com eficiência e baixíssimo custo

Entrevistas | Data de publicação: 15 de novembro de 2008


nelore irca

Data da entrevista: [07/08/2002]

O engenheiro agrônomo José da Rocha Cavalcanti, 48 anos, quarta geração de uma família que cria Nelore há 86 anos, administra a Fazenda Providência do Vale Verde, onde seleciona o Nelore IRCA com o foco centralizado em quatro características importantes para se alcançar eficiência no sistema de produção de carne a pasto.

Os resultados econômicos são maximizados a partir de duas estratégias: tendo como primeira a seleção e preservação de uma genética herdada de seus antepassados que tiveram o pioneirismo científico de priorizar características como fertilidade, habilidade materna e acabamento precoce de carcaça no ambiente a pasto e a segunda na adoção de um manejo onde procura-se otimizar o desempenho animal pela eliminação do stress.

O senhor poderia nos descrever a fazenda em que trabalha?

JRC: A Fazenda Providência do Vale Verde, localizada em São Miguel do Araguaia no estado de Goiás, situada na área de cerrado deste município, portanto tem os seus solos ácidos e de menor fertilidade aliado a um clima quente com boa distribuição de chuvas, o que constitui uma vocação natural para criação de gado de corte. Respeitada as suas áreas de preservação ela possui 800 hectares de pastagens sendo 70% de andropogon, 12,5% de braquiaria humidícula, 12,5 % de braquiaria brizanta, 5% de tanzânia.

Quais são as diretrizes do seu trabalho de seleção?

JRC: Selecionar uma genética que proporcione uma eficiente produção de carne num sistema de produção a pasto.

Produzir e comercializar reprodutores que transmitam a outros rebanhos o que de melhor existe em nossa seleção. Através de uma rigorosa avaliação quantificamos a superioridade dos melhores de cada safra, medindo seu desempenho nas fases de desmama sobreano e reprodução. A fim de garantir que esses animais selecionados venham a ser touros melhoradores, submetemos ao julgamento do técnico da ABCZ, de modo a assegurar as características nobres da raça.

Por que o foco em adaptação a pasto?

JRC: No decorrer desses últimos anos estamos convivendo com o valor da arroba oscilando entre 17-22 dólares e não parece que isso vá mudar num curto espaço de tempo, principalmente pela dificuldade da nossa economia em conviver com um salário mínimo em torno de cem dólares. Posta esta premissa não nos resta outra opção a não ser a criação a pasto para que tenhamos assegurada uma boa rentabilidade. Um sistema eficiente de produção a pasto implica em moldarmos um biotipo de animal que consiga metabolizar com eficiência a gramínea disponível e proporcionar uma produção ótima em vez de máxima. Isto é, aquela que proporciona um maior lucro.

Como é o manejo de pastagem adotado?

JRC: Em nosso manejo de pastagem optamos pelo sistema de “Pastejo fixo com carga variável” respeitando-se a “sociabilidade” de cada lote. Isto implica que, quando precisamos variar a carga de um pasto, trocamos lotes de carga diferente sem mexer na composição do lote. Os bovinos têm o hábito gregário de viver, e isso faz com que eles determinem através de disputas que animais farão parte de seu “círculo” de convivência, há uma limitação na memória deles para reconhecer o que ficou determinado no dia anterior, isso determina um n.º ideal de animais para compor o lote, se respeitarmos essa organização, diminuíremos o stress e aumentamos a produção.

Quando é feita a mudança dos pastos?

JRC: Através de um acompanhamento mensal por um escore pré-estabelecido de notas que representam a quantidade de folhas que compõe a pastagem, avaliamos a necessidade de troca ou não de determinado lote daquele pasto. Este sistema determina que a carga animal seja compatível com 70% da matéria seca produzida em cada pasto, o que proporciona uma incorporação de matéria orgânica anual referente aos 30% restante. Apesar do aparente “desperdício” a produção obtida em termos de peso vivo por hectare é mais lucrativa devido a não submetermos os animais a nenhum período crítico de restrição alimentar, por proporcionar um pastejo seletivo, favorecendo um maior desempenho individual.

Qual a estrutura de divisão de pasto?

JRC: Nossos pastos tem uma área média variando de 20 a 25 hectares, com bebedouro e cocho de sal independentes, com uma forma predominante de um quadrado. Servido por corredores que facilitam a vinda dos lotes ao curral.

Qual a importância da fertilidade e precocidade sexual?

JRC: A fertilidade é a característica de maior importância num rebanho de cria. Pesquisadores já demonstraram que é a característica que mais influencia na lucratividade de um sistema de cria-recria-engorda. Proporcionalmente é três vezes maior que o aumento do peso carcaça dos animais abatidos.

A precocidade sexual é a característica que maximiza a fertilidade. Se um criador adotar como critério único de seleção a fertilidade, em poucos anos ele terá um excelente rebanho e terá agregado outras características naturalmente.

Que resultados tem atingido na área de fertilidade e precocidade sexual?

JRC: Nosso resultado nos últimos três anos após dez anos que adotamos uma estação de monta única/ano com duração média de 83 dias é:

– nulíparas e vacas paridas – 93% de prenhez,
– primíparas – 75% de prenhez
– Índice geral de 88% de prenhez.

Precocidade – bezerras expostas a touros a pasto (sem suplementação) com mineralização na faixa de 80-120 gr /dia tiveram um índice de 16% de prenhez aos 15 meses. Neste índice estão computadas 98% das fêmeas que desmamaram na fazenda.

Quais as vantagens de se ter um sistema exclusivo a pasto?

JRC: No sistema de criação a pasto o importante é definir o momento de comercialização dos machos e a melhor época para parição das fêmeas. O sucesso vai depender de como vamos sincronizar o período de maior exigência alimentar do animal com o período de maior oferecimento de capim pela pastagem. Nas vacas sabemos que este período ocorre nos três meses que antecede ao parto e nos três meses após o parto, isto porque é necessário que ela tenha o menor tempo de serviço (intervalo entre o parto e a ovulação fértil) afim de viabilizar um parto a cada 12/14 meses.

Para os machos seria os seis meses que antecedem o abate, onde se faz necessário uma maior ingestão de matéria seca afim de promover o acabamento da carcaça. A decisão mais correta quando não se pretende comercializar os machos ao final da primeira seca, é fornecer uma boa pastagem com mineralização sem suplementação e usufruir do ganho compensatório que ocorrerá no próximo período de boas pastagens abatendo este animal em torno dos 24 meses com 250kg de peso carcaça. Com o preço da arroba oscilando entre 17 e 22 dólares não se pode agregar custos fixos na produção desta arroba. O zebu desde que bem empastado em sua primeira seca evidência uma de suas características peculiares – o ganho compensatório na fase pós seca.

Como é o desenvolvimento ponderal dos machos quando só criados a pasto?

JRC: Nossos machos aos 28 meses tem apresentado um peso médio nestes últimos 4 anos de 508/514 kg de peso vivo com bom acabamento de sua carcaça o que permite uma liquidez para o abate a partir dos 22 meses de idade. Nesta média incluímos todos os animais da safra da fazenda onde o menor peso foi 450 kg, e o maior 620 Kg.

Quais os maiores problemas encontrados hoje em uma fazenda que cria reprodutores?

JRC: Ser produtor de reprodutor requer uma sensibilidade embasada na técnica e na vivência do dia a dia do melhoramento. A decisão de que touro acasalar muitas vezes vai depender mais do bom senso do que mesmo da informação técnica disponível. Por exemplo a DEP peso não prediz a quantidade de carne por unidade de carcaça. Mais importante que o peso é o acabamento de carcaça. Pode se ter dois animais de 500 kg e um estar gordo e o outro magro. Peso sem acabamento significa maior tempo de engorda, maiores risco e custo consequentemente menor rentabilidade. Ao contrário quando se tem acabamento precoce tem-se um giro mais rápido, maior número de bois por área de pasto, o que resulta numa maior produção de arroba por ciclo de engorda. A cultura do pecuarista, até então era de “quanto maior o animal, melhor”, pesquisadores tem demonstrado que no pasto a vaca de 450kg é mais produtiva que a de 600kg. O produtor de reprodutores deve priorizar resultados e não dar lugar a animais privilegiados. Selecionar é descartar, quem não descarta coleciona.

Qual a importância da qualificação da mão de obra na propriedade hoje?

JRC: É primordial para se formar um equipe capaz de executar com interesse as etapas, para se atingir as metas. À medida que incorporamos informações e elas são assimiladas, os obstáculos são vencidos facilmente.

Qual a influência das recentes alterações no cenário pecuário mundial (BSE, aftosa, rastreabilidade, carnes certificadas) para um produtor de gado de corte?

JRC: A maior influência foi despertar o produtor de gado de corte paras suas responsabilidades em relação à sanidade de seus rebanhos.

Como o senhor visualiza a produção de carne bovina no Brasil num futuro próximo? E quais os desafios que a cadeia de carne irá enfrentar daqui para frente?

JRC: A produção de carne no Brasil precisa estar atenta em :

* Absorver uma mão de obra mais qualificada e por isso mais bem remunerada.

* Preocupação ambiental e preservação do solo.

* Preservação da qualidade da água.

* Aumentar a produção sem comprometer a saúde do consumidor (risco zero).

* A Fazenda de gado de corte deve significar qualidade de vida aos animais que lá produzem e aos homens que nela trabalham.

Desafios da cadeia de carne:

* maior diálogo entre os seguimentos desta cadeia afim de compreenderem que os vários elos que a compõe são parceiros e não concorrentes.

* Maior preparo técnico/político dos nossos negociadores no fórum internacional. A União Européia muito em breve estará ávida em recuperar seus mercados e para isso não nos poupará com ataques de que somos predadores da natureza, exploradores de mão de obra e inescrupulosos no uso da água do planeta.

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Originalmente essa entrevista foi realizada pela Equipe BeefPoint, para o site da Merial.

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Homozigose, Prepotência Genética, Produtividade

Artigos | Data de publicação: 30 de setembro de 2008


nelore irca

Pelos anos de 1942, os irmãos Rocha Cavalcanti (Fernando e Carlos), representando a terceira geração de uma família que criava Nelore desde 1916, priorizaram na seleção do Nelore IRCA os acasalamentos na mesma linha de sangue (“line-breeding”) com animais herdados de seu pai o Dr. José da Rocha Cavalcanti (Dr.Juquinha), vindos de seu avô o cel. Carlos Benigno Pereira de Lyra e nelore adquiridos entre outras origens como do pioneiro Pedro Marques Nunes e da tradicional criação do Dr. Otávio Machado no Estado da Bahia (“OM”).

Hoje em São Miguel do Araguaia – Goiás, José da Rocha Cavalcanti – sucessor do rebanho IRCA – prossegue num programa de criação que tem por objetivo o melhoramento das características econômicas da raça, procurando oferecer animais aptos para reprodução, na medida do possível, de homozigoticidade conhecida, isto é, animais que estejam de acordo com o padrão, possuam características semelhantes herdadas tanto da mãe quanto do pai e sejam parentes sangüíneos relativamente próximos.

Uma fórmula de criação bastante simplificada, de modo de que os resultados, sejam assegurados. A simplificação da fórmula de criação é alcançada através de cruzamento dentro da mesma linha de sangue, seja através do “inbreeding” (parentesco muito próximo) ou do “line-breeding” (relação de parentesco menos estreita).

Segundo trabalhos de alguns pesquisadores como Humphrey, Warner, entre outros, têm-se as seguintes recomendações, para se obter uma linhagem definida dentro da raça com o tipo e características semelhantes:

  1. Decidir quais as poucas características essenciais e defeitos intoleráveis. Entre as essenciais, devem ser incluídas: Fertilidade, Rusticidade, Precocidade, Temperamento.
  2. Desenvolver um sistemático planejamento dentro do qual as qualidades e os defeitos sejam tratados em face do objetivo de cada criação, com especial ênfase para os pontos individuais que necessitam ser aperfeiçoados.
  3. Deve ser prolongado persistentemente o “line-breeding” dos animais destaques, que pelo teste de progênie, demonstram ser melhoradores para as características de importância econômicas presentes na linhagem. O “ïnbreeding” se faz quando o animal utilizado possui qualidades marcantes. Quando necessário, poderá ser feito um “out crossbreeding” (acasalamento de não parentes) para tentar obter características que não estejam presentes nos genótipos das famílias iniciais.

O criador que se dispõe a seguir essas orientações não estará isento dos muitos desafios que terá pela frente. Freqüentemente ocorre que o reprodutor de melhor aparência e que se destaca em exposições não é o melhor padreador. O mesmo se aplica às fêmeas; para se chegar à matriz superior ele terá tantos acertos quantos erros, devendo selecionar a que lhe pareça mais fértil, feminina e mais perfeita quanto ao tipo padrão, não se esquecendo que encontrará animais com falhas de maior ou menor importância. As falhas menores serão eliminadas com acasalamentos posteriores.

Varedo 1433 IRCA, filho de sua avó (Ipojuca 157 IRCA que aos 17,5 anos de idade desmamou sua 14a. cria, SUPERIOR no CDP-ABCZ), irmão de seu próprio pai, ótima conformação frigorífica e com filhos bem avaliados nas características de carcaça.

Varedo 1433 IRCA, filho de sua avó (Ipojuca 157 IRCA que aos 17,5 anos de idade desmamou sua 14a. cria, SUPERIOR no CDP-ABCZ), irmão de seu próprio pai, ótima conformação frigorífica e com filhos bem avaliados nas características de carcaça.

O porque desta seleção?

O objetivo real de toda seleção é elevar a média de produtividade de uma raça, procurando obter uma população homogênea (menor desvio padrão) próxima do biótipo ideal, de alto desempenho na condição de pasto.

Deverão estar presentes as características essenciais como: Fertilidade, Rusticidade, Longevidade Produtiva, Temperamento, pois sem estas a criação estará fadada ao desastre. Falta de Fertilidade e Rusticidade acarreta descontinuidade e aumento do custo, o que inviabiliza a criação. A longevidade produtiva é importante na medida em que um animal de grande valor na reprodução precisa ser útil por muito tempo, após sua importância haver sido reconhecida através da sua progênie. Finalmente o Temperamento é de grande importância para a produção de carne com qualidade, pois representa a facilidade do manejo.

O que todo criador deseja ao adquirir um tourinho para seu rebanho é que ele possua PREPOTENCIA, que como descreve J.L.Lush, é a capacidade de imprimir as suas características nos seus filhos, de tal forma que estes com ele se pareçam, ou se assemelhem entre si, mais intimamente do que é comum.

Não é tarefa fácil desenvolver “prepotência” em uma seleção, isto porque muitas características desejadas são o resultado da combinação de mais do que um par de genes para esta herança, o que torna o resultado menos preciso. Em segundo lugar, selecionamos animais com várias características o que torna o trabalho extremamente difícil, porque nesse caso teríamos centenas de combinações genéticas possíveis, mesmo se cada característica fosse determinada por um único par de genes, o que é improvável.

Por isso acreditamos que o mais rápido método de se obter “prepotência” para as características a respeito das quais estamos interessados, é praticando “line-breeding” e uma seleção cuidadosa.

Se você tem três gerações de boa cobertura de carne na retaguarda de um touro, e seus parentes também o são de boa cobertura, as chances são grandes de que ele venha a ser prepotente para essa característica. Se ele e todos os parentes têm todas as características que você deseja, as chances são boas de que o tourinho de fato será prepotente para todas elas.

O Nelore IRCA proporciona oportunidade de acasalamentos dirigidos com animais de outras linhagens, visando a introdução de novos alelos no rebanho, sem perda de qualidade fenotípica.

Teríamos um aumento de diversidade genética com a introdução de alelos mais raros na nova população.

Esta é a razão pela qual o Nelore Irca permanece com um programa de seleção, priorizando os acasalamentos com animais que se destacam nas avaliações, visando alcançar índices zootécnicos superiores (fertilidade e acabamento de carcaça com ciclo curto) mantendo-se o foco no pioneirismo e tradição de priorizar alta produtividade com baixo custo.

ent0708021

Por Engº Agrº José da Rocha Cavalcanti.

Esse artigo foi publicado em 1986, inspirado pelo artigo de “Consangüinidades. A Criação de Cães da Mesma Linha de Sangue”, de José Walter Santos Ferro, Criador e Juiz de Criação e Seleção da SBCPA.

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Seleção a pasto e linhagens abertas são diferenciais do IRCA para selecionadores de Nelore PO e produtores comerciais

Notícias | Data de publicação: 08 de setembro de 2004


nelore irca

A escolha de animais para seleção leva em conta fatores externos, como o ambiente, e internos, a exemplo da consangüinidade. Em ambos os aspectos, de acordo com Maurício José de Lima, gerente de desenvolvimento de produtos da Lagoa da Serra, o Nelore IRCA, produzido na Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, GO, do engenheiro agrônomo José da Rocha Cavalcanti, apresenta diferenciais importantes tanto para selecionadores de Nelore PO quanto para os voltados a rebanhos comerciais.

“A seleção IRCA, além de ser selecionada a pasto, apresenta outra grande contribuição: trata-se de famílias selecionadas há mais de 80 anos de linhagens abertas, pouco utilizadas no nelore brasileiro, representando, portanto, uma alternativa para evitar a consangüinidade, que tem apresentado níveis preocupantes no nelore brasileiro”, justifica Lima, primeira pessoa a contratar um touro IRCA para coleta em central de inseminação artificial.

Outra vantagem, em sua opinião, é a seleção nacional: “Para quê buscar animais na Índia, correndo riscos sanitários, se existem linhagens selecionadas aqui mesmo no Brasil, como é o caso do Nelore IRCA?”, reforça.

Para produtores de bezerros comerciais, a contribuição do IRCA, na avaliação de Lima, responde a uma recomendação encontrada há muito tempo nos manuais de melhoramento: a avaliação dos reprodutores no mesmo ambiente em que seus filhos serão criados. “Sabemos que mais de 80% de toda a carne brasileira são produzidos a pasto. Não há, então, porque selecionar animais “arraçoados” se seus produtos serão terminados em pastagens. Esse é um dos grandes diferenciais do Nelore IRCA”, acrescenta.

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Nelore IRCA seleciona qualidade da carne produzida a pasto

Notícias | Data de publicação: 17 de agosto de 2004


nelore irca

Em breve, dados coletados por meio da ultrassonografia no rebanho do Nelore IRCA, produzido na Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, GO, do engenheiro agrônomo José da Rocha Cavalcanti, possibilitarão aos criadores conhecer melhor esses animais em termos de eficiência de carcaça.

De acordo com o responsável pela coleta dos dados, Fabiano Araújo, diretor da AVAL, o procedimento permite boa acurácia. Ele explica que a ultrassonografia capta imagens da área de olho de lombo, avaliando musculosidade (rendimento de carcaça quente e de desossa) e acabamento, e da garupa do animal, que avalia a EGP8 (Espessura de Gordura Ponto 8), possibilitando avaliar gordura e acabamento. Em termos de melhoramento, ele atesta que a utilização da ultrassonografia é recente, mas, para pesquisas, está disponível no Brasil desde 1992/94.

Sobre a adoção da ultrassonografia por Cavalcanti, Araújo afirma que, além do pioneirismo, o criador já vislumbra a demanda que pode existir daqui a dez ou 15 anos. Ele destaca que, apesar de não haver trabalho comparativo do IRCA com outros rebanhos, devido a sua variabilidade, Cavalcanti conseguirá animais de qualidade dentro da linhagem. Para selecionadores de Nelore PO, ele acredita que o IRCA pode contribuir em termos de habilidade materna. Já para produtores de bezerros comerciais, em termos de rusticidade e precocidade.

Entusiasta

“É um rebanho muito diferenciado, com poucas amarrações com rebanho de fora, pois foram utilizados animais próprios da fazenda, com grau razoável de consangüinidade”. Este é a definição que Luiz Alberto Fries, professor da Unesp Jaboticabal e responsável pela avaliação genética do Nelore IRCA, atribui à linhagem.

Fries valoriza a genética do IRCA – “Quando saem do rebanho, esses animais produzem melhor ainda do que dentro do rebanho” – e enxerga na seleção características particulares de manejo, do ponto de vista de produção, além de idéias inovadoras de comportamento animal.

“São extraordinários, um trabalho muito bom para animais precoces, com boa musculatura. Tenho confiança no que vi: serão animais muito interessantes”, completa, comentando que essa atitude inovadora facilita na busca de soluções para situações em que é difícil diferenciar o que é ambiental e o que é genético na seleção.

O professor acaba de receber informações genéticas que, após análise, “contribuirão para a continuidade desse criterioso trabalho de seleção do IRCA”.

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Nelore IRCA inova na seleção e utiliza ultrassonografia para coleta de dados

Notícias | Data de publicação: 13 de agosto de 2004


nelore irca

Uma seleção que teve início em 1916, na Usina Serra Grande, em São José da Lage, AL, com 40 cabeças, pelas mãos do Cel. Carlos B. P. de Lyra, atravessou o século XX e chegou ao XXI, tendo como foco a eficiência do animal a pasto, como atesta o responsável pelo Nelore IRCA, José da Rocha Cavalcanti, bisneto do Cel. Lyra, proprietário da Fazenda Providência do Vale Verde, em São Miguel do Araguaia, GO.

Para Cavalcanti, “o IRCA é uma linhagem com um programa de seleção dentro do padrão racial supervisionado pela ABCZ, selecionando uma genética na qual os animais são eficientes tendo o pasto como dieta”. Em sua opinião, é uma opção interessante devido às características saudáveis que proporciona, por ter seu genótipo selecionado em um ambiente natural, ou seja, é bom tanto em genética, quanto em economia.

“O mais importante é termos genética de produção de carne de qualidade e eficiente em ambiente de capim. O objetivo é obter a maximização da renda líquida”, justifica, afirmando que a seleção IRCA apresenta como diferenciais o abate de animais jovens – entre 22 e 28 meses -, que apresentam média de peso entre 16 e 18 arrobas, com bom acabamento de gordura, e fêmeas férteis e de boa capacidade de desmame.

Para obter animais com esse potencial, segundo Cavalcanti, quatro características são extremamente importantes: fertilidade, acabamento de carcaça com precocidade, boa habilidade materna e seleção a pasto. “A seleção do Nelore IRCA tem essa filosofia mantida em uma tradição de 88 anos”, destaca.

Nesse processo de seleção, sempre atento aos princípios da produção de carne a pasto, a utilização de novas tecnologias é bem-vinda. Recentemente, foi a ultrassonografia que conquistou Cavalcanti, para quem a avaliação do rendimento da carcaça tem como pré-requisito decompor o peso vivo que o animal apresenta na balança em quilos de carne de boa qualidade por unidade de carcaça.

Segundo ele, o peso em si não reflete quanto de carne há na carcaça: “Pode-se ter um animal de elevado peso e baixo rendimento de carcaça. O mais importante é selecionar os melhores animais com essa característica, tanto visualmente, quanto com o auxílio da ultrassonografia, que transforma em dados numéricos as imagens da área de olho de lombo e da espessura de gordura”, explica.

O objetivo do uso da ultrassonografia, de acordo com Cavalcanti, é somar essas informações àquelas obtidas na avaliação visual. “Acreditamos que a ultrassonografia auxiliará a ter uma informação consistente, que a balança não mostra. Balança só mostra peso. Podemos ter um animal de 500 kg ‘magro’ e um de 480 kg ‘gordo’ e com bom rendimento”, acrescenta.

O que o levou a adotar essa tecnologia foi o desejo de oferecer aos clientes da genética IRCA informações mais precisas, montar um banco de dados que possa auxiliar nas decisões. “O produtor de genética precisa estar consciente de suas responsabilidades, pois o resultado de seus clientes dependerá de suas decisões. Quando trabalhamos com espécies de intervalos de geração mais longos, como os bovinos, a vida se torna curta para absorver nossos erros”, reforça.

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